Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã

Fotos da Região
Com 14 anos, dá início à vida de
uma forma muito primitiva. Pela poeira dos caminhos tocava o seu burro que
pediu emprestado, que depois acabaria por compra-lo ao dono. Para baixo levava
carvão, para cima trazia sardinhas. Era o Castanheira.
O automóvel ainda não existia, só
se fosse nos laboratórios de Karl Benz a ultimar os testes para pôr a funcionar
o primeiro motor a explosão.
Em 1886, Gottlieb Daimler e
Wilhelm Maybach, em Estugarda, patentearam o primeiro veículo movido a motor de
explosão.
Mas Fontes Pereira de Melo, já
tinha inaugurado o primeiro troço da via-férrea Lisboa Carregado há algumas
décadas atrás em 1856. E já nos finais
do século, começavam a estender-se os ramais pelo país fora e as Beiras e
Trás-os-Montes começavam a ser rasgados pelos rompimentos para a construção das
vias-férreas nas primeiras décadas do século xx.
Para o Castanheira, provavelmente se aplicaria a metáfora: na terra dos olhapins (um olho) quem tem dois olhos é Rei.
Os projetos para a construção deste ramal, constava-se que já estavam aprovados e o Castanheira, embora ainda jovem, mas já pensava como um adulto.
Para se construir uma linha de comboio eram necessário travessa para a linha férrea e as travessa melhores e mais procuradas eram as de carvalho.
Os carvalhais de um falido nos desmandos com mulheres, estavam à venda e parecia que ninguém tinha dinheiro para os comprar, era o tempo das guerras mundiais, seriam uma fonte inesgotável para esse material para as grandes obras que tinham que ser feitas. O Castanheira arranjou dinheiro para isso e comprou esses terrenos.
A prosperidade arranca em força, tornou-se imparável na região, casou e teve muitos filhos, rapazes i raparigas.
Ele tinha uma escolaridade mínima, não se lhe conhecia tempo de ter andado na escola, provavelmente foi auto-didata, mas sabia ler, escrever e fazer conta o suficiente para não se deixar enganar, se houvesse enganos seria ele aos outros, os filhos colocou-os todos na escola e fizeram todos a escolaridade obrigatória e bem feita, ele sabia que o futuro também estava numa boa escolaridade.
Não tardou que não fosse o maior empresário da região e dentro de pouco tempo comercializava todos os produtos da região, desde agulhas e botões até toda a maquinaria da mais sofisticada que se vendia no país.
Os filhos ficaram-se pela escolaridade obrigatória, mas os netos, que poucos mais foram do que os filhos, após o liceu iniciavam-se nas melhores universidades, não tinham muito sucesso nos estudos, alguns desistiam a meio do curso, falava-se em drogas pelo meio.
Após a morte dos filhos do Castanheira, o império entrou em declínio e não tardou em se desmoronar e abrir falência.
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