UMA VIDA NO ESCURO.
Nascida no início da década de cinquenta sec xx, numa classe pequeno-burguesa, típico das famílias algo abastadas, agricultura e comércio local.
Aldeia bem situada para a Região, começava a beneficiar da modernização dos meios de locomoção.
Júlia, fez a Primária com distinção. Era inteligente, aplicada e trabalhadora. Até porque era dos irmãos  a segunda do mais velho e logo que se começou a movimentar por si própria, começou a saber o que custa a vida, olhando pelos seus irmãos mais novos, enquanto a mãe atendia os clientes no estabelecimento comercial, vendendo quilos de arroz, ferramentas para trabalhar no campo e servindo copos de vinho. Quando não havia clientes, ainda dava uma saltada ao campo para ver como iam os trabalhos por lá. O marido nem todos os dias podia acompanhar os trabalhos rurais. Alguns negócios da loja, compra e venda de cereais, faziam com que precisa-se de viajar com alguma frequência.
Concluída a 4ª classe para continuar havia que propor Júlia ao exame de admissão aos liceus.
A Julinha, como era tratada, não teve dificuldades no exame de admissão aos liceus, ela era de facto aplicada.
O 1º ciclo, foi num Externato ali por perto, vinha todos os fins-de-semana para casa e ainda ajudava os pais na loja, que aí a mãe já a deixava à vontade, pois já dominava bem as contas e já não se enganava a fazer o troco aos clientes.
2º Ciclo, o pai foi pô-la na cidade do interior. Aqui, já ficava mais distanciada e já não dava para vir a casa com tanta frequência.
Menina já crescida, já se poderia orientar com alguma responsabilidade e começava a ter pensares de mulher.
O pai, tinha-a colocado numa Pensão em que os proprietários, um casal, mas não deixou de recomendar para que tivessem sempre olho na menina - já começava a ser uma mulherzinha, bela e com corpo de mulher acima da idade dela - sempre que se apercebessem que poderia haver princípios de namoricos para o avisarem logo com um telefonema e que eles próprios não deixassem de a chamar à atenção e se preciso fosse caso disso, estavam mesmo autorizados a darem-lhe um raspanete.
O tempo ia passando, Julinha continuava com sucesso nos estudos, vinha mais raramente a casa mas vinha toda satisfeita e parece que tudo correndo sobre rodas.
O dito casal proprietário da Pensão, que de início inspirou confiança ao pai de Julinha, a ponto de se oferecerem para tomar conta da menina como se fosse uma filha, que a começaram a tratar com intimidade, mas que passado algum tempo, Julinha começa-se a aperceber que esses senhores não eram o que o pai dela tinha ficado a pensar deles.
Julinha começa a ficar muito confusa com o casal da Pensão. Para a idade que ela tinha, 14 anos, embora já começasse a conhecer alguns segredos naturais da mulher, mas vinha de uma aldeia e estava em meados da década de sessenta. Mesmo para adultos, não queriam acreditar nem sonhavam em malefícios que alguns seres humanos são capazes de engendrar
Era o programa queue o casal da Pensão lhe andavam a propor há muito tempo, com ofertas de bons fins-de-semana só os três, de dinheiro para as suas despesas pessoais que não quisesse dizer ao seu pai e que já teriam feito isso com outras meninas, que nada disseram aos seus pais e amigos e nunca se veio a saber nada e que tudo passou em bem.
Não era só o marido do casal da Pensão que queria abusar dela. Era o casal em conjunto, que há muito tempo a andavam a tentar convencer para irem os três para a cama fazer sexo em conjunto. Começariam por ser primeiro o marido a fazer sexo com ela Julia, com a mulher ao lado a assistir com cenas eróticas. De seguida, fariam todos sexo em conjunto.
Júlia, foi uma adolescente que ofereceu resistência até à última e depois resolveu a questão, empreendendo uma fuga bem calculada e com êxito, apanhando o casal pedófilo e violador desprevenidos.
Júlia teve um pensar de adulta, inteligente e frio. Ela própria tinha consciência de que se eles se apercebessem da sua tentativa de fuga, contactariam de imediato os seus pais. Iriam dizer as mentiras mais horrorosas aos pais dela, dificilmente os pais depois viriam a acreditar nela e ela teria ali pela frente, tempos difíceis e dolorosos.
Ela e os pais, ficaram confusos e baralhados com tamanho drama, mas não queriam dizer nada a ninguém
Durante muito tempo, aquilo ficou só entre ela e os pais, nem os irmãos, familiares e vizinhos sabiam a razão porque a Julinha tão boa estudante, teria interrompido assim tão bruscamente os estudos ao meio do ano, e já não viria a ser a médica do futuro, que ela já tinha deixado transparecer, como qualquer adolescente sonha ser a profissão que imagina gostar de ser e no seu caso, tudo se encaminhava para isso. Boa estudante, inteligente, trabalhadora e os seus pais já lhe tinham oferecido que se ela continuasse a ser sempre assim tão boa estudante, a levariam até onde ela quisesse.
Julia parou, pensou, recomeçou, completou o secundário, inicia uma profissão, ingressa na universidade, completa um curso superior, Direito, mas nunca veio a ter um namoro normal, não casou e fazendo uma vida social com problemas.

Extraido de um capítulo com 30 paginas relatando toda uma situação que durou anos. - do livro – Realidade em Ficção




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