Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã

Desde muito novo, algo devia saber e não sabia,
Adriano (vamos chamar-lhe assim) achava que não estava a saber bem as suas
origens, coisa que ele achava que devia saber para conhecer bem a sua
identificação, de onde veio, pois com tudo o que estava vendo em seu redor,
conversas dos mais velhos, audiovisuais, conversas da escola e até já algumas
conversas em privado, achava que se devia falar mais nos seus antepassados,
pensava que para uma pessoa se conhecer bem, teria de conhecer melhor as suas
origens.
Um certo momento, bem escolhido por ele, Adriano
atreveu-se a questionar a sua mãe sobre o seu avô materno, a avó materna estava
farto de ouvir falar nela, pois eram quase todas as conversas da sua mãe sobre
os seus antepassados, mas sobre o avô, muito poucas e muito breves vezes tinha
ouvido falar.A mãe, demorou a responder e depois deu-lhe uma resposta muito evasiva, Adriano não questionou mais, mas para ele era mais que claro que sua mãe estaria a querer esconder algo sobre seu pai.
Adriano pensou e achou, por enquanto não falar mais no assunto, mas decidiu não deixar muito tempo sem que viesse novamente questionar a mãe sobre este assunto.
O tempo foi passando, Adriano também ia tendo novas ideias, também com receio de voltar a ouvir novamente a mesma resposta, foi deixando passar o tempo, e, quando Adriano já adulto, ao frequentar uma Biblioteca encontrou livros que lhe tiraram algumas duvidas e o poderiam levar a ter conhecimentos de pessoas de há muitos tempos.
Voltou a questionar a sua mãe sobre este assunto, mas aqui a mãe já lhe respondeu de outra forma, pois sabia que Adriano com esta idade já não aceitaria respostas evasivas, e o que lhe forneceu mais foi o cemitério onde os seus antepassados teria sido enterrados
Adriano desloca-se a esse cemitério munido de equipamentos simulando ser Jornalista investigador, como de facto quando andava no cemitério a primeira pessoa que se dirigiu a ele lhe perguntou se era Jornalista de Lisboa. Adriano deu-lhe a entender que sim, e que se o pudesse ajudar, lhe agradecia bastante. A pessoa de imediato quis ser cicerone, senhora dos seus 80-90 anos e passava lá (fotos) parte do tempo a tratar da campa do seu falecido esposo, conhecia quase todas as campas e as famílias a quem pertenciam, era a pessoa indicada para Adriano falar com ela.
Não passaram muitas, que não estivesse a falar dos antepassados de Adriano, soube quase tudo o que pretendia saber, tinha uns antepassados mais honrados do que pensava.
Então porque é que a mãe de Adriano evitava falar sobre seu pai, avô de Adriano?... É que a mãe de Adriano casou contra a vontade de seu pai, e agora ela mesma tinha filhas para casar e não queria que casassem contra a vontade dela, ela própria, não raro, utilizava o proverbio ( filho és, pai serás ).
Havia famílias que só porque alguns dos seus familiares, por vezes ainda de 1º grau, se afastavam só por ter acontecido pequenas desavenças temporais, e com seu orgulho próprio, não queriam ceder e assim se afastava um ramo familiar.
Também havia a situação de as famílias serem quase sempre numerosas, média de cinco-seis filhos que fazia com que dispensassem alguns e se afastassem. Até havia uma condição em quase todas as famílias, à media que fossem mais numerosas, passaria a discriminar alguns dos seus filhos, com ainda resquícios das culturas ancestrais do filho morgado, o mais velho herdaria tudo, só esse poderia casar e ficava na condição de sustentar os outros irmãos e só poderiam casar se ele o mais velho autorizasse. Embora essas regras já tenham acabado há muito tempo, mas a mentalidade perdurou e na pratica, para os irmãos a seguintes, alguns eram dados como simplórios, negando-lhes acessos às coisas e situações, que assim eles, naturalmente ficariam limitados.
Nas gerações seguintes, esconderiam muito do que teriam a dizer sobre a Família.
As sociedades de hoje, têm muito a investigar, se se quiserem conhecer bem, que é condição sine-quanon para saberem qual o seu AND, condição muito importante para a pessoa saber quem é.
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