Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã

Paisagem antes da Auto-estrada

Mesma paisagem depois da Auto-estrada










VIAJAR CONHECER O PAÍS: Para sabermos em que pais vivemos, temos que o conhecer e, para o conhecer é necessário conhecer as pessoas. Mas não basta conhecer as pessoas que nos rodeiam por perto, é também preciso conhecer, ou termos pelo menos uma ideia do país em geral e das suas gentes, porque pode haver diferenças nas gentes de cada país.
Aos 14 anos,  atravessei  pela primeira vez uma fronteira por minha conta e risco, não correo bem, tive alguns problemas e dissabores, mas depois houve pessoas que reconheceram a minha situação e ajudaram-me bastante, passados alguns anos fui agradecer a essas pessoas o bem que me tinham feito.
Depois com o tempo, já passei por todos os continentes e por cerca de 30 países, mas sempre que penso ir a um país a primeira coisa a fazer é inteirar-me da cultura desse país, incluindo seus hábitos e costumes, onde convivi com todas as culturas e todas as religiões, à parte alguns problemas de pouca importância, próprios destas situações, mas depois tudo ficou em bem e com respeito e amizade.
O nosso país, não sendo muito grande nem de muita população, é um país de dimensão média a nível mundial, tanto em território como em população, mas é um país de cultura diversificada, talvez por sermos um país de origens muito antigas: temos a fronteira mais antiga da Europa, habitado por povos originários deste nosso próprio território desde o principio da humanidade e que depois ao longo dos tempos foi recebendo alguns povos que por aqui deambularam e alguns foram ficando por aqui e absorvidos pela nossa cultura.
Mas ainda temos muitos portugueses que não conhecem Portugal. Não é assim tão raro ouvir dizer a muitas pessoas que nunca estivaram em determinadas regiões do país e em algumas cidades importantes e no entanto dizem com certa vangloria que já estiveram várias vezes em determinados locais do estrangeiro.
Na década de 80 do sec. xx ouvi dizer a um oficial militar em Lisboa, com tanta ressonância, que tinha ido a Macedo de Cavaleiros!.. Para este homem, ter ido a Macedo de Cavaleiros quase que correspondia ter ido a um local muito, muito distante e que muita gente desconheceria, provavelmente pertencia aos grupos de pessoas de Lisboa que para irem a Vila Franca de Xira já se despediam da família.
Depois, veio a década de 90 sec. xx, nos tempos do dinheiro fácil, em que muita gente, através do credito ao consumo compravam viagens para Punta Cana, Tunes ou Agadir, para irem para 8 dias torricar-se na praia, para depois voltarem com cor de fazer “inveja” e sem terem conhecido praticamente nada desse país, presenciei eu alguns casos destes,  mas continuavam a desconhecer a maioria das localidades do nosso país e as suas belezas paisagísticas, a sua cultura, a sua historia com os monumentos dos mais interessantes do mundo, porque para podermos apreciar e ajuizar o nosso país é preciso conhecer os outros países.
Depois, vierem as vias rápidas e auto-estradas, que nos permitem deslocar-mo-nos para qualquer ponto do país em pouco tempo e sem nos cansarmos nada, mas as pessoas que não conheceram o país enquanto tinha uma beleza natural que tinha vindo a ser moldada ao longo de centenas de anos e depois ao longo de muitas décadas, pois o primeiro Plano Rodoviário Nacional foi iniciado em 1945 com cerca de 20.600 km para três níveis de estradas: 1ª, 2ª. 3ª com a maioria das aldeias a ficar com acesso por estrada.
O 2º Plano Rodoviário Nacional foi projectado para princípios da década de 60 sec. xx, que já incluía muitas vias rápidas: Auto-estradas, IPs e ICs.
Como via Rápida sem portagens, com duas faixas de rodagem em cada sentido, a estrada nacional nº 2 que vai de Chaves a Faro, com mais de 700 km (ver crónica: Estrada Nacional 2 – 18-09-2019 )  mesmo pelo centro do país, que se tem sido contraída esta via, teríamos hoje outro Portugal, com infra-estruturas muito diferentes, comercio, industria e população fixada e diversificado por todo o país.
Com o rebentar da guerra ultramarina, ficou adiado sine-die, mas voltou a estar preparado para ser iniciado em meados da década de 70, mas com a mudança de regime, mais uma vez todos os plano de infra-estrutura do país foram adiados e alguns até anulados, caso da estrada nacional 2.



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