Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã






João viveu a sua adolescência nos anos 60 do sec. XX e a juventude nos anos 70, criou-se a trabalhar na agricultura.

Na adolescência e até aos 20 anos, nas horas livres aproveitava para procurar livros e leitura e como autodidata inicia seus estudos, mas também gostava muito de se divertir e namoriscar.

Após os 20 anos, começou a deslocar-se pelo país e assim foi conhecendo todas as regiões do país, suas gentes, seus hábitos, suas riquezas e formas de vida.

Após três anos nestas andanças, inicia um período novo e nas férias do seu trabalho, já na década de 70, aproveitava para estudar mais e preparar-se melhora para os exames como estudante trabalhador, mas também tirava uns dias para ir dar uma volta pelo país por onde conhecia menos, umas vezes acompanhado e outras vezes sozinho, até fazia questão de andar algum tempo sozinho, pois assim tinha mais tempo para se meter coma as pessoas, fotografar e filmar.

Não sendo do Alentejo, desde a primeira vez que começou a gostar do Alentejo e de tempos a tempos não dispensava uma volta lá por terras alentejanas, onde criou alguns conhecimentos e amizades e nunca deixou de regularmente dar umas voltas pelo Alentejo, com família, com amigos, algumas vezes até em férias, como fazia por todo o país e estrangeiro, pois aos 14 anos começou a atravessar fronteiras, se não tivesse dinheiro para ficar no hotel, acampava, em parques de turismo ou mesmo fora.

No Alentejo uma das coisas que João apreciava mais era aqueles restaurantes à beira das estradas sempre com boa comida à alentejana, mas gostava de ser bem recebido à mesa e para isso tinham que se sentar à mesa, ele e as pessoas que o acompanhavam, enquanto o restaurante ainda não estivesse cheio, mesmo aquelas grandes salas, não demorava que ficassem cheias  com aquelas famílias de dois pais e 3/4 filhos e os lugares de estacionamento escacassem, era um momento social para as crianças e adultos aquele movimento com parques de brincadeira para crianças. 

Durante a década de 80 começou-se a notar que os restaurantes e até as estradas começaram a ficar mais vazios e na década de 90 todo este movimento veio para menos de metade, não só no Alentejo como também por todo o país, excepto nas zonas turísticas e em épocas de turismo.

João quis saber porquê. Devido à sua actividade profissional e também com os estudos que tinha concluído, tinha conhecimento das alterações que iam acontecendo nas sociedades, tanto a nível nacional como internacional, o problema nem era bem falta de dinheiro, era essa sociedade que estava a diminuir. Finais da década de 80 e toda a década de 90, foi a construção de auto-estradas que tinham desviado o trânsito das estradas, mas nos restaurantes nas auto-estradas também não existia esse movimento.

 Conclusão: essas pessoas e famílias de antes, estavam a diminuir drasticamente, que depois nos anos seguintes e até meados da primeira década do sec. XXI ainda houve muito dinheiro (dinheiro fácil = a credito concedido facilmente) mas a população que dava vida à vida à social do país, estava e reduzir drasticamente.

João, na sua vida profissional tinha oportunidade de falar com jovens estagiários acabados de vir das universidades. Uma vez, ao falar com um jovem de 25 anos natural dessas terras alentejanos, puxou-lhe conversa sobre essa grande transformação que se deu em terras do Alentejo nas três últimas décadas do sec-XX, o jovem, filho único e de pais funcionários médios do Estado, dizia que o problema era falta de dinheiro nas pessoas. João contou-lhe como se tinha criado e como fazia quando tinha 25 anos, mas o jovem continuava a dizer que a culpa era dos outros.

Era um filho do novo riquismo, tinha sido criado sozinho sem ter com quem partilhar as coisas e a darem-lhe tudo feito.

Foi assim que se criou a nova sociedade, sem saber o que é ter vários irmãos para começar logo de pequenino a aprender a partilhar o que tem e criar algo mais para ter mais o que precisa, foram dominados pelo orgulho de querer tudo só para eles, o mundo era completo desde que eles próprios mantivessem tudo o que precisavam, outros não contam muito.

A partir de 2007/8, com o rebentamento da economia e queda na vida social foi brusca. A partir daí a vida das pessoas tem vindo aos soluços, ora sobe ora desce, mas cada vez o foço é maior, o numero de pessoas que o nível de vida cresce é cada vez menor e o numero de pessoas que o nível de vida baixa cada vez é maior.

Por isso hoje, temos uma sociedade envelhecida, com a pouca gente nova só a preocupar-se em reivindicar o que acha que precisa, por vezes muito mais do que na realidade precisa. Fazem-se cimeiras importantes de governação onde se fala em muita coisa inútil e não se fala de criar riqueza, de demografia nem de poupança, que são os três pilares fundamentais para uma sociedade em progresso e saudável.

 

 

 

 

 






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