Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã . AMOR PROIBIDO MAS VENCIDO
| Terras de Mafalda |
| Uma das casas da Família descendente de Mafalda |
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| Viagem de Mafalda para Leiria |
O AMOR PROIBIDO MAS VENCIDO
FAMÍLIA típica do interior do país.
Libania, uma jovem nascida pelos anos de 1860, no seio de uma família da média burguesia descendente de sangue azul, semi-falida por não conseguir manter os seus hábitos e tradições senhoriais desta classe social, porque os tempos começavam a mudar, com os efeitos da revolução industrial a outro ritmo que não os de, em tempos passados.
Se lhe estava no sangue ou não, sentia que tinha uma função de realizar ou dar continuidade àquilo que os seus longínquos antepassados, acidentalmente foram impedidos de realizar.
Faziam-se confirmadamente as experiencias dos primeiros motores a explosão, que viriam pôr em andamento os primeiros veículos automóveis dezasseis anos mais tarde, em meados da década de 80 do séc. XIX.
Libânia, desde pequena habituada a ouvir as conversas de lareira, era boa ouvinte e de bom ouvido e desde muito pequena, ao ouvir as histórias da sua família, antepassados, começou a alimentar a ideia de que deveria dar continuidade e repor algumas situações que foram impedidas em tempos passados.
Gostava muito da sua terra mas também sentia que precisava de alargar horizontes, assim, após a festa da sua apresentação à sociedade por volta dos seus 17 anos, ia dando atenção a tudo e gravando na sua memória o mais que podia, pois o seu casamento chegaria e toda essa informação lhe seria útil.
Já na idade casadoira, embora fosse uma jovem muito pretendida pelos conterrâneos, preferiu aceitar casamento a um de terras limítrofes.
O homem que a desposou, homem já mais maduro, mas cativou-a com sabedoria e experiencia de vida que ele demonstrava. Homem experiente e viajado até por outros continentes, havia de ser-lhe útil para expandir os seus conhecimentos.
Depois das bodas do casamento, partiu em direcção a terras do seu esposo, montada no Mercedes-benz da época, uma Égua branca bem cuidada e lhe tinha sido dada como o aperitivo do Dote de casamento, que seu pai iniciava.
Pela viagem, à comitiva que a acompanhava não quis deixar de demonstrar logo os seus princípios de gente afidalgada, expressando frases próprias dessas pessoas sobre qualquer coisa de desconhecido. Convinha dar a entender que desconhecia tudo o que rodeava a sua terra para além de uma certa distância.
Assim, faria crer ao recente esposo que para ela tudo aquilo era desconhecido. Prova de que ela tinha passado toda sua vida até ali, bem resguardada dos perigos que poderiam ter tocado a sua honra, valores da época.
Nessa época, nos meios provincianos, uma menina que demonstrasse muitos conhecimentos exteriores, não era o melhor sinal de pureza, condição que era quase condição sine-quanon para um homem que desejava um bom e honrado casamento.
O primeiro momento que não se arrependeu de ter desposado quem desposou, foi ao chegar frente ao portal da residência do seu esposo e ver a pedra onde desde há muitos anos se içava a bandeira do Posto onde eram cobrados os impostos e eram depois enviados para a Casa Real função que caberia sempre à família de mais confiança da Família Real.
Viu também a inscrição no portal da porta da casa que iria ser sua residência, a inscrição fundida no granito de 1666 e na porta ao lado na casa das tulhas a inscrição 1775.
Estas inscrições davam a Libânia a credencial de que estava com gente do seu sangue.
A história desta família, começa na pentavó de Libania, aproximadamente 400 anos atrás:
MAFALDA, uma jovem de 20 anos, cheia de vida, bela, saudável e bem pensante, enamora-se do Mordomo de seu pai e fica grávida dele.
Seu pai, um homem Senhor destas Terras, habituado a que tudo corresse à sua feição, não estava habituado a sofrer contrariedades, habituado mais a dar ordens e que lhe obedecessem sem questionar, teve dificuldades em compreender a situação que a filha lhe causou.
O Mordomo, Cristóvão, homem já maduro, tinha sido escolhido pelo seu Senhor para as funções que lhe foram confiadas, por ter demonstrado durante o tempo que ali já trabalhava, ser competente e capaz.
Era bom Gestor dos bens do seu Senhor, sobre tudo na área Financeira e assim, o seu Senhor tinha mais tempo para as suas caçadas e passeios a cavalo, deixando tudo bem entregue ao seu considerado Mordomo/Gestor.
Ao saber da sua filha grávida do homem que ele tinha escolhido para seu braço direito, nem sequer pensou minimamente em conter os ímpetos de vingança directa.
Procurou uma das muitas armas de caça que tinha lá por casa, e vai à procura do seu Mordomo, para fazer “justiça” rápida e directa.
Mas o seu Mordomo obviamente que já o conhecia, não esperou pelas consequências. Pôs-se em fuga.
Os dias passavam e como a fome apertava, pela calada e secretismo, Cristóvão começou a rondar a casa, onde desde criança tinha vivido, que era a casa do seu senhor, que desde criança para lá fora, por lá se tinha criado e por lá tinha trabalhado toda a sua vida.
Mafalda estava apaixonada por Cristóvão. Mesmo correndo riscos da bravura descontrolada do seu pai, Mafalda decide apoiar o seu amado, recolhe-o em segredo e mete-o numa arca/tulha enorme onde eram guardados os cereais, e passa a alimentá-lo às escondidas do seu pai. Daí Cristóvão ter ganho uma alcunha de o Rato, que via a ser herdado por todos os seus vindouros até aos dias de hoje - um deles o próprio autor do livro - embora ultimamente tenha entrado um pouco no esquecimento.
O pai de Mafalda, começa a apercebe-se que a filha tinha recuperado da sua intranquilidade notando nela uma certa satisfação e começa a desconfiar que alguém lhe estava a trazer notícias do homem que ele tanto queria apanhar para lhe desferir tiros de caçadeira até descarregar a arma.
Manda montar cerco cerrado em redor da sua propriedade senhorial para cortar todas as hipóteses de chegarem mensagens de Cristóvão a Mafalda.
Com toda a criadagem querendo ser útil à menina Mafalda - era muito querida por todos os serviçais daquela Casa - alguns até estariam dispostos a sofrer alguns castigos do seu Senhor, mas gostariam de poder ser úteis à sua querida menina. Todos sabiam da relação de Mafalda com Cristóvão, só não sabiam nem desconfiavam da gravidez de Mafalda. Pois com as saias largas e compridas até aos pés que as meninas usavam nessa época, era fácil esconder uma primeira gravidez em tempo de gestação total quase até ao fim de nove meses.
Com todo este ambiente, para o pai de Mafalda não era fácil conseguir os seus objectivos.
Vendo que a situação continuava e vendo que deixou de ter a colaboração do resto da família, não imaginaria ele que o homem que tanto desejava desferir-lhe um ou mais tiros estava mesmo dentro de sua casa e a ser alimentado carinhosamente pela sua própria filha, porque amava apaixonadamente esse homem e que estava pré-determinada a tudo fazer para salvar o seu amor, querendo por perto o pai da criança que estava em gestação na sua própria barriga, mesmo correndo alguns riscos, nunca saberia aonde poderia chegar a fúria de seu pai, um homem que sentiu a sua honra – da sua filha – ofendida.
Pai de Mafalda tinha familiares em Leiria.
Antes que a barriguinha da sua menina começasse a crescer e se começasse a notar em publico, pois apercebia-se que a menina nada faria para esconder a barriga a crescer, antes pelo contrario, não tinha duvidas de que faria gosto em a exibir, começou a equacionar a hipótese de levar a filha para Leiria para se livrar da vergonha da família perante os vizinhos e redondezas, de ter a sua princesa grávida do próprio Mordomo, homem que ele tinha escolhido como seu braço direito e de sua confiança, gestor dos seus bens e seu conselheiro principal.
Organiza a transferência da filha para Leiria, fazendo espalhar a notícia de que sua filhinha se ia tratar às Caldas da Rainha de uma doença grave que o seu médico acabara de lhe diagnosticar e seria demorada a cura e o tratamento.
Partida e viagem de Mafalda para Leiria”
Mafalda permaneceu em Leiria, para além do período de gestação e parto mais algum tempo o período da amamentação necessário e indispensável para a criança e a mãe recuperar das aparências de parturiente e repor as cores faciais e aparências físicas de que nada do que se passou pudesse fazer desconfiar tal passado.
Não foi fácil para Mafalda, abandonar sua filha ainda com alguns meses de vida. Cortar aquele amor de mãe e arrancá-la da sua filha que tanto estava a amar e gostar dela.
Era uma mãe muito jovem, mas estava a ser uma mãe com M grande.
Para além do forte amor de mãe que estava a sentir por sua filha, uma forte emoção consumia Mafalda. Quando pensava que, ao regressar à sua casa paterna, teria de esconder, que tinha uma filha e de que tanto gostava, tinha presente na sua memoria 24 horas por dia e sete dias por semana. Nem um minuto ou segundo, ela iria conseguir esquecer a sua querida filha. Ainda não se tinha afastado da sua filha e já sofria fortemente, só em pensar no futuro que a esperava.
A juntar a esse sofrimento, tinha
também que refrear e esconder a alegria que gostaria de ter, apresentar ao pai
da sua filha, a Linda menina que tinham concebido com amor, embora um - amor proibido
Mas Mafalda, era uma mulher forte. Embora muito jovem, a juntar à moldura e beleza que a tinham bafejado, vindo dos ventos e ares puros e macios canalizados pelos vales de entre as Serras de cumes graníticos que circundavam a Terra que a vira nascer e criar.
Apostou consigo própria, que iria vencer a dura batalha que tinha pela frente, e a melhor arma que iria usar, seria a inteligência e a paciência.
De regresso à sua terra, a partir do momento que se afastou de sua filha, as lágrimas nunca mais se consegui ver livre delas.
Não o tinha lido porque ainda não tinha sido escrito, mas estaria Mafalda a inspirar o poema que mais tarde, um autor desconhecido, haveria de escrever?
O CHORO DA MULHER
Um rapazinho perguntou à mãe:
Mãe, porque estás a chorar?
Ela respondeu:
Porque sou mulher…
Mas…eu não entendo.
A mãe inclinando-se para ele, abraçou-o e disse:
Meu amor, jamais irás entender!...
Mais tarde o menino perguntou ao pai:
Pai, porque é que a mãe às vezes chora, sem motivo?
O homem respondeu:
Todas as mulheres sempre choram sem motivo…
Era tudo o que o pai era capaz de responder…
O garotinho cresceu e tornou-se num homem.
E, de vez em quando, fazia a mesma pergunta!
Porque será que as mulheres choram sem ter motivo para isso?
CERTO dia, ajoelhou-se e perguntou a Deus:
Senhor, diga-me… Porque é que as mulheres choram com tanta facilidade?
E Deus disse:
- Quando criei a mulher, tinha de fazer algo muito especial. Fiz ombros suficientemente fortes capazes de suportar o peso do mundo inteiro. Porém suficientemente suaves para te confortar.
- Dei-lhe uma imensa força interior para que pudesse suportar as dores da maternidade e também o desprezo que muitas vezes recebem dos próprios filhos.
- Dei-lhe fortaleza que lhe permite continuar sempre a cuidar da sua família, que não se queixa apesar das enfermidades e do cansaço, até mesmo quando outras já estão à beira de desistir.
- Dei-lhe sensibilidade para amar os filhos, em qualquer circunstância, mesmo quando estes a tenham magoado…
- Essa sensibilidade permite-lhe afugentar tristeza, choro ou sofrimento da criança, e partilhar as dúvidas e medos da adolescência.
Porem, que possa suportar tudo isto, meu filho…
Eu dei-lhe lágrimas, e são exclusivamente suas para usá-las quando precisar. Ao derramá-las, a mulher verte em cada lágrima um pouquinho de amor.
- Essas gotas de amor desvanecem no ar e salvam a humanidade!
O homem respondeu com um profundo suspiro…
Agora compreendo o sentimento da minha mãe, da minha irmã, da minha companheira…
OBRIGADO MEU DEUS, POR TERES CRIADO A MULHER!
Mafalda, derramava as lágrimas de mãe, de irmã e de mulher, - que lhe davam toda a força de que ela precisava.
De mãe, porque tinha a sua filha afastada e longe dela, embora tivesse feito confiança nas suas primas afastadas que lhe juraram que iriam tratar dela como se sua filha fosse, mas estava longe da sua vista e não sabia quando voltaria a vê-la e se a voltaria a ver ou não!
De irmã, porque tinha cinco irmãos mais novos, todos ainda crianças e estavam a passar por uma fase de dificuldades que jamais tinham conhecido.
De mulher, por que não sabia qual viria a ser o seu futuro como mulher.
Mas Mafalda, continuava a demonstrar a quem a rodeava, que alguma doença por muito grave que fosse, nunca poderia abalar assim uma criatura. E o que Mafalda deixava transparecer, não era falta de saúde, mas sim uma tristeza profunda desconhecida!
Para além do mais, aparentava saúde e que nenhuma doença grave ou menos grave – como quis fazer crer seu pai às pessoas – teria passado por ela.
Ainda melhor. Mafalda era uma daquelas mulheres que quando são mães, ainda ficam mais belas e Mafalda era uma delas.
Aqui, dava alguns trunfos a seu pai: dizia que tinham sido os tratamentos nas Caldas que teriam sortido esse efeito.
Mas Mafalda continuava o seu desterro. Desterro sim, porque ela estava como tendo sido desterrada. Estava afastada de sua filha forçadamente e sem poder falar nela. Se caísse na tentação de o fazer, não tinha dúvidas de que o castigo dado por seu pai seria severo e com eventualmente consequências futuras imprevisíveis. Ela como tinha apostado consigo própria que haveria de ganhar a batalha com inteligência e sabedoria, não estava interessada em perde-la. Por isso, com grande esforço e paciência, ia resistindo, havia sempre uma esperança e viriam dias melhores.
Do seu amado Cristóvão, nada sabia. Após a sua partida para Leiria, ele, ficando sem quem o alimentasse, teve que partir.
Mas Mafalda, fazia confiança no seu amor. Ele era homem de sabedoria e resistência. Conhecia-o bem, tinha crescido junto dele. Ele próprio tinha sido seu conselheiro e protector enquanto ela ainda adolescente por ordens de seu próprio pai. Sabia muito bem o amor que Cristóvão sentia por ela. Por isso, Cristóvão voltaria!
Os anos iam passando e Mafalda tentava resistir ao tormentoso sofrimento do afastamento da sua querida filha que não estava a acompanhar o seu crescimento. As notícias que lhe chegavam dela, já vinham filtradas pelo seu pai e por vezes não a satisfaziam. Não fora uma forte esperança que esse sofrimento haveria de acabar e Mafalda teria enlouquecido.
Aí, já havia alguns contactos secretos com o seu amado, que lhe ia dando algumas forças de esperança e resistência. Haveriam de vencer.
Por sua vez, o pai de Mafalda, é acometido por uma doença que o começou a preocupar. Aquilo que seu médico lhe dizia, começou a repensar na situação da sua filha.
Começou a sentir peso da situação que estava a criar à sua filha. Tinha mais filhos e os irmãos de Mafalda, embora secretamente pela boca de Mafalda, já sabiam da situação que tinham uma sobrinha e tinham tomado o partido da irmã.
O pai, começou a sentir-se isolado. Mas reconheceu que tinha criado uma situação tão tormentosa à filha de quem tanto gostava – de todos os filhos que tinha, eram seis, todos mais novos que Mafalda – Mafalda era a de quem ele mais gostava, chegou a ser encontrado a chorar de arrependimento. E ainda para mais ao faltar-lhe Cristóvão de casa, os seus rendimentos também começaram a diminuir. Cristóvão, desde à muitos anos que era o Gestor daquela casa que prosperava. Era uma casa rica e com muitos bens, mas para haver rendimento e criação de riqueza era preciso saber gerir aquela Casa e o pai de Mafalda gostava era de passar o tempo em caçadas e ter tempo para beber copos na sua grande Adega com os amigos.
Mafalda, também desde muito nova, talvez por ser a mais velha dos seus irmãos, começou a ser muito activa e uma 2ª gestora da casa. A partir do momento em que entrou nesta situação, tudo ficou diferente e se alguma coisa fazia, era por arrastamento.
Para o pai de Mafalda, com todas estas alterações e com uma prole de filhos para criar, começou a entrar em queda. Dizia-se em família, que a doença que o seu médico lhe diagnosticara, seria a doença que ele inventou para Mafalda e também um castigo divino.
A sua mulher, mãe de Mafalda e daquela prole dos filhos, nada mais tinha feito na vida, se não parir toda aquela prole. Era uma senhora muito afidalgada
Pai de Mafalda entra mesmo em queda continuada, ficando magro, arrependido, o seu fim aproximou-se e morre prematuramente.
Mafalda chora muito a morte do pai. Dizia-se na família, que ainda ficou mais transtornada do que com toda a situação que tinha sofrido anteriormente.
Mafalda gostava muito do pai. O pai tinha-a ensinado muito a ser mulher responsável.
O pai de Mafalda, via na filha uma sua sucessora na gestão da casa da família. Ele aspirava por um bom casamento para a sua filha depois de adulta e madura.
Mas o amor não escolhe ocasiões!.. As ocasiões é que escolhem o amor.
Mafalda sofreu muito com a morte do pai, porque não estava nos seus planos de vida que o pai morresse tão cedo.
Os planos de vida de Mafalda eram ganhar a batalha, recompor toda aquela situação e mostrar ao pai que o casamento que ele aspirava para ela, ela tinha-o conseguido.
Também sofreu mais, porque não tinha dúvidas de que a morte do pai veio mais cedo, pela cumplicidade que o pai sentiu de toda aquela situação em que se tinha metido e criado a Mafalda.
No momento em que o pai morreu já estavam os dois a trabalhar para recompor a situação financeira da Casa. Mafalda por um lado e o pai por outro. Embora um contra o outro. Mafalda iria conseguir, mas o pai já não conseguiu.
No fundo, eles gostavam tanto um do outro, que tinham dificuldades em aceitar que cada um não participasse nas decisões um do outro.
Foi assim que o pai de Mafalda começou a determinar desde muito cedo com Mafalda.
Esta tendência, haveria de se vir a demonstrar futuramente por gerações vindouras desta família.
Os planos de vida que Mafalda tinha idealizado era, com o tempo vir a convencer o pai a aceitar o seu casamento com Cristóvão, pois o pai também gostava muito de Cristóvão e precisava dele, era só esperar que lhe passasse aquela fúria contra Cristóvão, trazer a sua filha para junto deles, reorganizar e pôr a Casa Grande de novo a criar riqueza e a prosperar, que naquele momento quase já se passava fome e tudo estava desorganizado.
Com o seu casamento com Cristóvão e este regressar ao seu lugar de Gestor da Casa Grande e Mafalda a dar a sua ajuda, ela não tinha dúvidas de que tudo mudaria, toda a família passaria a viver melhor.
Os seus irmãos, mais duas raparigas a seguir a ela, depois dois rapazes e novamente a mais nova rapariga, pouco mais velha do que a sobrinha, todos queriam era ver o Cristóvão de regresso a casa, tinham-se habituado a ele, era como um irmão mais velho, brincavam com ele como se fosse da família.
A juntar a esta falta de afecto, estava a diminuição da qualidade de vida que sofreram com a ida da irmã mais velha para Leiria onde esteve cerca de um ano e do desaparecimento de Cristóvão de gestor da casa que começou logo em queda de rendimento.
E os planos de Mafalda era recompor toda esta situação, repor a qualidade de vida da Casa Grande, a alegria e bem-estar na família, o seu querido pai pudesse voltar às suas caçadas, aos seus copos na Adega com os amigos e que ele tivesse uma vida longa
A acompanhar, ela estaria a dar-lhe os netos que já algumas vezes teria referido.
Não foi possível recompor esta situação. O pai de Mafalda não conseguiu aguentar o peso que ele próprio aceitou ter sido ele a carrega-lo.
Após passar o tempo suficiente de respeito pela morte do pai, Mafalda deitou as mãos à obra antes que a situação se afundasse mais.
Ela agora não sabia para onde se haveria de virar. Já não era só a vida que dizia respeito a ela própria.
Tinha toda uma casa de família à sua responsabilidade. A sua mãe, como de costume, só esperava que as coisas aparecessem feitas, não tinha sido criada e habituada a mais.
E Mafalda sabia de tudo isto. Por isso não perdeu mais tempo, antes que a situação se agravasse mais.
Manda regressar Cristóvão, vai a Leiria buscar a sua filha. Mas durante o tempo que a sua mãe considerou suficiente para respeitar a memória do pai, ela manteve uma relação de Dona da Casa Gestora Principal para com Cristóvão.
Não lhes era fácil, mas por amor à sua própria vida e o futuro, souberam gerir a situação e deram um bom exemplo de pessoas responsáveis.
Aí, o mais importante, era recuperar a Casa da situação crítica a que tinha chegado.
Após esse trabalho conseguido, passariam à segunda fase, que era repor a vida de amor entre ela e Cristóvão, que desde havia muito tempo estavam pré-determinados.
Já com a filha junto dela, Mafalda sabia que o mais importante seria arrumar as ideias para recomeçar o futuro.
Sabia que dali para a frente, todo o futuro daquela casa dependeria dela. O desenrolar de todos aqueles acontecimentos, acabaram por atirar para cima dos ombros dela a grande responsabilidade de salvar aquela casa e toda aquela grande família.
O pai, quando a começou a formar desde muito nova, parecia pressentir que aquela filha, acabaria por um dia vir ela a assumir a direcção daquele clã. Embora ao mesmo tempo, tenha sido ele o causador, em parte, do desenrolar de muitas daquelas situações. Mas também a paixão de Mafalda ainda muito nova pelo próprio mordomo, tenha sido o inicio de tudo isto.
Mas agora era nos ombros de Mafalda que estava todo aquele peso.
Cristóvão tinha ficado muito marcado com a situação e agora andava um pouco desconfiado com a posição tão musculada de Mafalda.
Amava muito a filha que era filha dele e de Mafalda. Desconfiava-se entre a família, que se não fosse a filha, não teria aceitado a condição subalterna que Mafalda lhe atribuíra, agora de regresso e depois da morte do pai de Mafalda.
Cristóvão, sentia que nem o pai de Mafalda lhe teria reduzido tanto o poder de decisões.
Esta posição tão musculada nas mulheres desta família, haveria de se reflectir até aos dias de hoje e também não raro, se alguma vez é necessário por acontecimentos, no limite, aparecem jovens a assumir o lugar de responsáveis na família.
Mas em simultâneo, também se reflectiram todas as tendências de Mafalda nas suas vindouras. mulheres fortes, até fisicamente, inteligentes, responsáveis e de famílias grandes, gostando sempre de ter muitos filhos.
«As mulheres desta família, são mulheres muito determinadas. Fisicamente variam entre: altura média e alta, elegância musculada, fisionomia esbelta e maçãs do rosto rosadas, cor dos cabelos louros e castanho claro. Quando encontram o homem certo dão umas excelentes esposas e mães, exigindo de igual para igual a gestão e decisões familiares com o marido. Mas se casam com o homem não certo, são terríveis para eles, embora fazendo frente aos problemas com discussões, mas evitam por todos os meios as separações e divórcios, pensando muito nos filhos e na união familiar, preferindo manter-se assim por toda a vida».
Mas era Mafalda que estava a arrumar a casa. Precisava de pôr os pontos nos is. Ou ela conseguia reorganizar a casa ou a casa estaria perdida. Ao mesmo tempo que ia dando esperanças a Cristóvão que viriam dias melhores.
As vozes vizinhas também não eram favoráveis à permanecia do pai da sua filha de novo em casa e sem estarem casados.
A mãe de Mafalda nada opinava, deixava-se guiar para onde visse que seria melhor para voltar à casa antiga onde havia fartura de tudo para ela poder organizar chás lá em casa para poder convidar as amigas da sua sociedade.
Primeiro que tudo, Mafalda queria voltar a ser a Mafalda que era quando tinha 20 anos, quando ficou grávida. Jovem cheia de vida, alegre, despachada e divertida, por vezes sujeita a criticas vindas da vizinhança, por não se importar de expor às críticas quando tinha atitudes atrevidas de brincadeiras que para a época seriam ousadas. Não se importando de em público saltar em pulo do chão para cima de um cavalo, mesmo com os vestidos a tocarem-lhe os pés, que ao saltar e com os movimentos inerentes, teria que mostrar parte das pernas, ousado para aquela época.
Haveria de séculos mais tarde, uma descendente dela, ser muito parecida com ela – na área da liberalidade, desportivismo e beleza.
Enquanto, Mafalda saltava dos carros de bois e dos cavalos, para cima do selim de um cavalo, a sua descendente de um dos ramos da arvore genealógica, quando estava de ferias da Universidade e se passeava no automóvel ao lado do homem de quem gostava mas que não podia dizer que o amava, embora neste caso a família não pusesse entraves, dentro da sua localidade e nos mesmos terrenos de Mafalda sua non-avó, esta agora, ao ver uma bicicleta passar, saltava do automóvel, pedia ao proprietário da bicicleta que a deixasse dar uma volta, ele não tinha
coragem de dizer que não àquela jovem bela, elegante alta acima da media de vestidos lindos às rosas, cara linda de olhos grandes e castanhos-claros, lábios rosados a mostrarem um sorriso encantador, mostrando uns dentes de brancura a condizer com toda aquela beleza.
E esta, também não viria a ser muito bem sucedida nos amores e no relacionamento com o seu próprio pai.
Mafalda, conseguiu recuperar a sua vida amorosa com o homem que amava.
Esta sua descendente, agora no século XX, não conseguiu casar com o homem que mais amava.
E com o que casou, não foi verdadeiramente feliz. Não ficou grávida antes do casamento. Mas depois do casamento o futuro foi pior do que o da sua antepassada. Acabou por ficar com a filha sem o pai.
O tempo passava, mas Mafalda não esquecia o que tinha de fazer, a promessa que tinha feito a ela própria, o compromisso que tinha assumido em segredo com ela própria a pensar em toda a sua família. Repor toda a situação de bem-estar para todos e normalizar a sua condição de mãe como mãe de família, dando início a uma nova família.
Tinha em atenção a condição de Cristóvão. Não lhe passava despercebido a moral em baixo do homem que amava. Mas também não podia conversar muito com ele de igual para igual. Conversava com ele de proprietária para empregado, salvaguardando sempre que ele era o pai da sua filha.
Mas Cristóvão também conhecia bem Mafalda, sabia a mulher que era. Acreditava que ela tinha decidido repor tudo no seu lugar e para isso, não sendo fácil, era necessário tomar medidas como ela estava a tomar. Por isso, mantinha-se confiante no futuro e continuava a colaborar afincadamente com Mafalda na recuperação da Casa Grande.
A filha dos dois, crescia saudavelmente, espelhando a sua própria mãe. Era uma criança saudável, alegre e divertida. Havia uma condição que a poderia estar a prejudicar e marcar negativamente. Embora soubesse quem era o pai dela, não podia brincar com ele como se fosse seu pai. O pai também sentia pena, ter a filha por tão perto e não poder brincar ou conversar com ela como se fosse sua filha. A mãe Mafalda também sofria com toda esta situação e mais que isso, tinha consciência que naquele momento ela era a principal responsável por aquela situação.
A casa começava a recuperar. Os irmãos de Mafalda começavam a sentir segurança na sua identidade. Tinham-na sentido perdida quando a casa bateu no fundo. Os irmãos mais velhos já começavam a ser o braço de apoio de Mafalda para toda aquela batalha que estavam a travar. Mafalda lançava-os no campo da responsabilidade. Ela tinha tido a grande lição do risco que uma casa corria quando o poder de decisão estava muito concentrado.
Os irmãos de Mafalda e as irmãs, tinham muito respeito por ela. Gostavam muito dela, viam nela uma segunda mãe. Mas Mafalda não se superiorizava em nada aos irmãos. Queria é que eles fossem responsáveis e conhecedores de tudo. Ela sabia e queria reconstruir a sua vida. Achava que tinha direito a ter uma vida normal de mulher, de mãe e de esposa.
Ainda era uma mulher jovem e ela queria continuar a viver a juventude. Sabia que tinha condições para isso.
Por isso, assim que achasse que era altura, ela tomaria a decisão. E essa altura aproximava-se.
A casa estava praticamente recuperada, tinham voltado às Túlhas cheias de cereais. O período de quase fome que tinham passado já estava esquecido. Já havia confiança no futuro. Aquela casa tinha voltado a ter ordem e a ser respeitada e vista como casa de referência.
Sem pensar bem nisso e por força das circunstâncias, Mafalda tinha abarcado para cima dela uma grande responsabilidade.
A de recuperar a casa após a morte do pai, a de reorganizar toda aquela família e, a de clarificar e limpar todo aquele imbróglio de ligação a Cristóvão.
Era esta a terceira fase e talvez a mais complicada, assumir a ligação a Cristóvão.
Mafalda queria fazer um casamento com Cristóvão como se seu pai estivesse presente.
Ao mesmo tempo que sentia o peso de já ninguém se atrever a criticá-la,
ela tinha granjeado um estatuto de tal valor, que ninguém se atreveria a aconselhá-la mas ao mesmo tempo sabia que pelas costas não estaria livre de ser criticada e que poderia vir a fazer de alguma maneira que alguém poderia dizer: se seu pai estivesse vivo, isso não seria assim!
Mas ela já tinha aprendido que:
Esperar não é saber.
Quem sabe faz a hora.
Não espera acontecer.
Mafalda começa a preparar o casamento com Cristóvão.
Era o pai da sua filha e era o homem da sua vida. Disso não tinha ela duvidas.
Questionava-se a ela própria… como dar esse passo?
Cristóvão, já tinha assumido consigo próprio esse futuro. Mesmo sem Mafalda lho ter segregado ao ouvido, ele conhecia Mafalda. Sabia quanto ela gostava dele. Assim como tanto ele gostava dela. Não precisavam de palavras para se garantirem o futuro.
Cristóvão, desde que regressou, a pedido dela, dedicou-se profundamente à recuperação da casa e da família de Mafalda. Não tinha dúvidas de que o seu futuro estava ali, mas também com a forte vontade de colaborar em salvar aquela casa da bancarrota.
Ele tinha desde há muito tempo dado o seu esforço para aquela casa. Também se sentia triste e magoado, ver aquela casa ter chegado ao ponto que chegou. Por isso após o seu regresso, se dedicou a fundo ao levantamento daquela casa.
Mafalda enfrentou esta nova fase, de cara alegre e levantada. A sua inteligência e maturidade que tinha conseguido nos últimos anos, levavam-na a ver o futuro com muita alegria e promissor.
Preparou o casamento com Cristóvão, como se fosse um casamento em condições normais.
Mais, deu-lhe a importância e o esplendor que nas redondezas não se tinha visto. Era assim que seu pai tinha imaginado o casamento da sua filha Baronesa. Mafalda quis respeitar a memória do pai.
Desse ponto de vista, já teria calado as más bocas.
A componente religiosa, também era um quebra-cabeças para a época.
Mafalda queria que o casamento se realizasse com todos os preceitos religiosos como se de um par de noivos em condição normal se tratasse.
Aí, era mais fácil, pois os padres, não lhe eram muito difíceis para os convencer.
Era rica, mulher da alta sociedade das redondezas e qualquer membro da Igreja gostaria de ter Mafalda do seu lado e ser visita habitual da Casa Grande.
Por isso, não iriam tentar pôr entraves à celebração religiosa do casamento nas condições em que se encontravam.
O clero da época, pouco mais viria a mudar durante os séculos que se seguiram.
«Na mesma igreja que Mafalda e Cristóvão se ajoelharam e também a sua penta-neta Libania, um jovem descendente de Mafalda e já neto de Libania, viria já nos finais do século XX, presenciar um padre pregando o seu sermão com gestos e pulos no púlpito, dizendo para uma igreja completamente cheia, era dia de Festa anual na Aldeia, que já tinha contado quantos Diabos existiam naquela Aldeia.
Enquanto havia assistentes do sermão do padre, em vez de prestarem atenção ao que o padre dizia, estabeleciam conversações em voz baixa, de negócios de venda de gados, aguardentes e castanhas.
À hora do jantar (almoço) discutiu-se o sermão do padre. Esses senhores de meia-idade, não faziam a mais pequena ideia do que o padre tinha dito naquele sermão durante quase uma hora.
Questionados porquê, eles responderam que os padres estavam ultrapassados no que diziam e pensavam da mesma forma como os seus antecessores de há séculos atrás.
Este jovem descendente desta família, ao presenciar este acto, questionou-se a si próprio sobre esta situação da sociedade. Ele, que acabara de passar um período de cerca de meia dúzia de anos por vários países e continentes, convivido com todas as raças, culturas e religiões, com quem trabalhou, estudou e ensinou, notou que havia um paralelo entre o que viu em outras culturas e sociedades e a sociedade em que membros do seu clero estagnavam há séculos.
Não havia dúvidas de que, Mafalda Delgado, viria a ser uma mulher muito influente na região.
A cerimónia religiosa do casamento de Mafalda com Cristóvão, teve a adesão total e concordância imediata de todo o clero das redondezas. Todos os padres das redondezas, quereriam estar presentes e participar nesta cerimónia.
Iria ser feita como se o falecido Senhor pai de Mafalda estivesse presente.
A organização, festa e desenrolar da cerimónia, foi um sucesso. Todos os participantes saíram vaidosos e satisfeitos.
Não faltaram as más-línguas, para dizer que Cristóvão e Mafalda, não levaram ao casamento já uma filha, mas sim duas.
Enganaram-se!.. Porque o rebento que Mafalda levava já no ventre no dia do casamento, embora não se notasse mesmo com a elegância de Mafalda, não era mais uma menina, mas sim um menino.
Esta menina e este menino que Mafalda e Cristóvão levaram ao seu casamento, eram os dois primeiros filhos de oito irmãos, quatro raparigas e quatro rapazes, todos intercalados, não houve dois irmãos do mesmo sexo seguidos, que viriam a constituir uma futura família de sucesso na Região.
Daqui saíram, um militar, um padre e uma religiosa, como família que se prezasse na época, teria que ter estes elementos na família.
Para além do padre e da religiosa, todos os outros em várias profissões, alguns nas leis e letras, não esquecendo a continuidade da agricultura, casaram e continuaram a dar filhos ao mundo.
Mafalda e Cristóvão, foram um casal e pais muito felizes. Viveram até tarde. Também um legado de longa vida, que ainda hoje se mantém nos seus descendentes.
Esta família espalhou-se pelos quatro cantos do mundo. Nos séculos XVIII e XIX, séculos da emigração para o Brasil e África, alguns elementos desta família para aí foram.
Elementos descendentes desta família, em finais do século XX, que viajaram também por todos os continentes, viriam a encontrar sinais de presença «Brasil e África» até conseguido identificar em alguns casos, sem esses descendentes dos que tinham partido havia muito temo saberem, e até falado pessoalmente com eles. Não passou de se presumir, não havendo contudo a certeza.
Dos filhos e netos de Mafalda, nunca deixariam de, geração em geração, vir a aparecer algum elemento com a determinação da sua antepassada Mafalda.
A sua penta-neta Libanea Delgado, nascida nas últimas décadas do século XIX, viria a dar continuidade à sua antepassada Mafalda.
Fisicamente, nem em tudo eram parecidas, mas eram muito próximas.
Quando eram jovens, Mafalda era uma mulher de altura acima da média, usava vestidos a roçarem-lhe os pés, como de uso da época. Era esbelta, elegante e de porte atlético. Linda de cara, maçãs do rosto redondas, cheias e rosadas, olhos tamanho médio e castanhos, a condizer com os cabelos castanhos louros fortes e compridos, era assim que ela gostava de os usar. Era de expressão séria, penetrante e sorriso no fim.
A sua descendente em 5ª geração vida, Libania, também era uma mulher de altura acima da média. Esta, já mais corpulenta que a sua antepassada, mas também uma mulher bonita, mais rude, menos pensante e mais agressiva, mas também muito determinada. Haveria de fazer um segundo casamento depois de enviuvar, aos 70 anos, mais por arranjar um homem que lhe trabalhasse os bens e não por amor.
Criou cinco filhos, três raparigas e dois rapazes. Metade deles, também partiram por esse Mundo fora.
Alguns, nunca mais voltaram à terra onde os viu nascer, embora já vivessem na era dos aviões.
Esta família, tinha temperamentos muito diversificados e atitudes muito diferentes. Sempre demonstraram um Q I acima da média na maioria dos elementos. Embora, por vezes, não deixasse de haver um elemento que destoasse bastante dos outros. Em todas as gerações se vinha verificando esta tendência.
Pacíficos, inteligentes e delicados no comportamento, enquanto, também apareciam embora mais raro, elementos com tendências de rebeldia, agressivos e intransigentes.
A família que Mafalda e Cristóvão geraram e construíram, parece que haveria de vir a marcar, vir a ser um químico, de muitas futuras gerações até aos dias de hoje.
Ainda hoje, gerações descendentes desta, continuam a ser famílias entre cinco, sete e oito irmãos, ocupando as mesmas profissões e actividades.
Continua a haver famílias onde há irmãos, que pessoas de fora conhecem bem a história da família, dizem que nem parecem irmãos.
Uns são inteligentes, pacíficos, bondosos, sociáveis e sempre prontos a ajudar.
Outros, ariscos, não muito inteligentes, rebeldia exagerada, não sociáveis e por vezes a roçar o ser mesmo maus.
Libania, haveria de se ligar a uma família não menos tradicional que a sua.
Silva, o homem que desposou Libania, também pertencia a uma família tradicional e de linhagem. Os seus antepassados teriam sido famílias de confiança da Casa Real. Pelos vestígios históricos que ainda hoje se encontram nas casas que a eles pertenceram, deixam indícios nesse sentido.
Gonçalo, foi um homem viajado. Tendo vivido nas últimas décadas do século XIX e primeiras décadas do século XX, viajou por outros continentes. Foi um autodidacta na literatura. Sem ter sido colocado em escola quando de criança, veio a ser um bom leitor e ter criado a sua própria biblioteca.
Ele próprio pertencia a uma família de aristocratas.
Não bem pelo sangue, mas mais pelo comportamento e postura. Ainda hoje, descendentes de Silva, mantêm a postura de pessoas de bom porte, boas acções, conduta de honestidade, inteligentes e materialmente ricos quanto basta. Gostam de viver bem mas não comprometem a sua honra só para ter mais algum dinheiro.
Salvo por vezes algum elemento mais raro, que quebra essas regras.
Da terceira ou quarta geração vida da família que Mafalda e Cristóvão geraram, - considerando uma média de oitenta anos por geração vida – haveria de haver varias ramificações de comportamentos distintos.
A cultura das famílias do interior do país no século XX veio alterar-se muito com o aparecimento do novo-riquismo.
Alguns, queriam manter os traços de aristocracia herdada, mas também se queriam afastar de quem era de facto do seu sangue, mas que para eles, tinha parado no tempo. Mais já no sec. XXI, com o aceleramento da informação cada vez mais democratizada e acessível a quase toda a gente através dos meios tecnológicos foi e é possível investigar para o cidadão comum até muito mais atrás e conhecer passados não muito abonatórios em antepassados de algumas famílias.
Os tradicionais, não se importando tanto de enriquecer fosse da maneira que fosse mas mantendo a sua postura familiar e pessoal que alguns tendo feito tanta resistência à mudança dos tempos, acabaram por caminhar para as falências e alguns ramos dessas famílias até desapareceram, pela razão de poucos filhos e má gestão dos bens.
Uma das características do novo-riquismo, também era ter poucos ou só um filho (morgado – filho único) para assim concentrar toda a riqueza dos bens nesse filho, aspirando a casar com alguém que fosse também morgado/a.
São conhecidos casos em que o casal é de filhos únicos e depois não têm filhos, e aqui termina este ramo familiar
Embora outros, mesmo mantendo a postura do bom comportamento conseguiram dar continuidade ao seu ramo familiar e mais tarde apareceram novos elementos no seio dessas famílias que viriam a ser famílias do futuro.
Mas aqueles que, enveredando só pelo novo-riquismo dos novos tempos, nem todos foram bem sucedidos.
Desvalorizaram demasiado os valores socais e familiares olhando demasiado aos valores materiais e acabaram por ter alguns deslizes na constituição de famílias e gerações futuras.
Casos em que houve, donzelas estimadas demasiado para o status social, acabaram por cometer erros fatais e se reproduziram para gerações futuras.
O caso de uma, - inícios do século XX - sendo uma donzela de rara beleza, no meio de uma família de vários irmãos, a estima era tanta, para ver se de facto aparecia o príncipe encantado que eles irmãos e ela donzela esperavam, mas enquanto esperava pelo príncipe e ele não aparecia, ela donzela, ia mantendo relações amorosas secretamente com um homem de classe das mais baixas da sociedade.
Quando já não conseguiu esconder a gravidez adiantada, ironizava que só se fosse dos cães dos seus rebanhos que a vinham visitar quando se vinham alimentar a casa e ela lhes fazia umas festinhas. Dizia ela que eram o único sinal de machos que se aproximavam dela. Acontecimentos destes, em família tradicionais com passado histórico e até de interesse, não eram assim tão raros, e depois, para esconderem estes acontecimentos que eles consideravam menos bons mas m numero muito inferior do que os bons, sempre que os vindouros queria saber a história da família, essas famílias fechavam a sete chaves o passado da sua família. Em muitas investigações que eu fiz, tive que passar despercebido e não identificado, por vezes dizendo que era de terras longínquas.
Esse ramo familiar, era dos que tinham vivido a ilusão do novo-riquismo, mas que depois não conseguiram gerir de acordo com a evolução da sociedade dos novos tempos.
Descendentes deste ramo, não se conseguiram libertar mais da condição de relações amorosas falhadas, desconjuntadas e turbulentas.
As novas famílias deste ramo, raramente viriam a ser assentes e de continuidade.
Quase sempre passavam a ser famílias monoparentais.
Embora para além da parte conjugal, na parte profissional continuavam a manter os traços do seu sangue das antigas famílias, bem sucedidos.
Mais recatados que alguns ramos da antiga família, na ambição de conhecer novos mundos e novas gentes, menos aventureiros e mais receosos.
Outros, de outro ramo da árvore genealógica, em famílias de irmãos numerosos, muito se diversificavam. Por vezes nem pareciam irmãos do mesmo sangue. Chegavam a confundir as pessoas que conheciam bem a raiz dessa família.
Os comportamentos eram tão diferentes, alguém chegava a observar directamente para membros essa família: nem pareces irmão dele!..
Uns, com a sua inteligência cuidada se esforçavam por levar uma vida desafogada, desimpedida, livre, culturalmente saudável e economicamente e financeiramente responsável e saudável.
Os que levavam essa vida livre e cuidada, inicialmente eram procurados pelos outros a pedir ajuda em todos os sentidos poderem ter uma vida melhor.
Claro que esses que se esforçavam por levar uma vida sã e cuidada, arranjavam sempre tempo e dinheiro para dar uma ajuda aos irmãos do mesmo sangue.
Mas depois, os que tinham pedido ajuda, talvez por avarência e ganância, não só nunca tiveram tempo e vontade para retribuírem essa ajuda em trabalho, como por motivos de se terem metido em situações de ganância de dinheiro, viriam a colocar os outros irmãos em situações complicadas, embaraçosa e por vezes até incómoda para os que queriam levar uma vida saudável e desimpedida.
Hoje, já em pleno sec. XXI toda esta forma de organização de famílias quase que se desmoronou ou alterou, condições exigidas pelos novos tempos, veremos para onde caminha a humanidade.

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