Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amabnhã - Gerações no secretismo

Para melhor compreender
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GERAÇÕES NO SECRETISMO

Manuel, homem dos 40 anos, não muito conhecido na zona, mas fora indicado por alguém de confiança, que seria a pessoa certa para tais funções, já tinha alguma experiencia no ramo, era bem-falante e de boa apresentação. Era para responsável da gestão dos trabalhos e negócios de uma das propriedades mais conhecidas e mais famosas da região.

Casado e já com filhos, começou a gerir os negócios que lhe foram confiados, com determinação e mão de ferro, ele só sabia gerir com mão de ferro, talvez falta de confiança em si próprio, é próprio dos que não sentem confiança em si próprio recorrer à severidade.

O país atravessava um período de instabilidade e procurava o modelo a seguir para os próximos tempo, tudo era muito próprio e todos os que tinham responsabilidades, procuravam formas de gerir melhor as suas responsabilidades, o governo do país, para além de andar ainda à procura de formas para gerir melhor o país, procurava também as melhores formas de responder às situações que se verificavam nos países estrangeiros, nomeadamente nos país vizinho, Espanha e em toda a Europa.

 Logo de manhã cedo, Manuel partia para vigiar os trabalhos do campo. À tarde, encarregava-se de ver como iam as vendas lá pela loja/cantina e se as contas estavam a ser bem-feitas. Não era uma tarefa fácil, trabalhava muitas horas por dia, ficavam-lhe algumas horas por dia só para dormir.

Manuel, começou a conquistar a aprovação e simpatia do seu patrão,

 a vida começava-lhe a sorrir, começou a poder dar uma vida melhor à sua mulher e filhos.

Se algum conflito surgia na quinta, ele dominava-o facilmente. Quando saía para o campo, levava sempre o chicote na mão, e isso intimidava qualquer um que quisesse ter alguma ideia mais reivindicativa.

Se preciso fosse, poderia dar algum sinal à polícia política que para isso já se tinham disponibilizado, pois o regime precisava de controlar todas as áreas da sociedade e do país e este encarregado era da confiança da polícia política.

 Portugal e quase toda a Europa, assistia a ressurgimentos de movimentos contestatários na área das ideologias. Por isso quem comandasse ou chefiasse pessoas, teria de estar sempre atento a levantamentos sociais.

Manuel pensou em ter alguém de confiança para lhe ir dando algumas informações sobre o que se passava lá dentro da propriedade e a pessoa mais indicada que viu, foi o empregado que estava à frente do balcão da Cantina que era o Luís e que tinha como sua auxiliar Adélia que já namoriscavam e até pensariam casar. ( por uma questão de anonimato dos intervenientes, todos os nomes e locais são fictícios). Assim, seriam estas duas pessoas as indicadas para Manuel poder pedir informações sobre como tudo por ali estava a decorrer e ele controlaria melhor toda a situação dentro da imensa propriedade.

Luís e Adélia acabaram mesmo por casar, era um jovem casal, com toda uma vida pela frente, cheios de ambições e ideias e começaram a fazer planos para uma vida futura. A sua ambição era terem uma casa comercial deles próprios e as poupanças que já tinham eram poucas e quase as gastaram todas com o casamento, gostavam um do outro, tinham amigos e quiseram fazer um casamento para os poderem convidar a todos e gastou-se um bom dinheiro. Eram saudáveis, gostavam de trabalhar e acreditavam no futuro, que haveriam de ganhar dinheiro para se estabelecerem como desejavam e assim seria.

Embora o movimento da Cantina continuasse a aumentar de dia para dia e Luís e Adélia se empenhassem em apresentar contas bem certas e cada vez mais lucros, Manuel nem lhe passava pela cabeça aumentar o ordenado do casal, que bem o mereciam, o que ele queria era apresentar cada vez mais lucros aos patrões, para ele ser aumentado e continuar a ser mais bem visto.

Luís e Adélia tinham pensado em ter uma família completa com alguns filhos, mas como ainda eram muto jovens, poderiam esperar mais algum tempo para economizar algum dinheiro e depois começariam a nascer os primeiros filhos, mas o tempo ia passando e não tinham sinais de poderem vir a ter aumentos no salário.

Decidem por outra via, poderem vir a aumentar os rendimentos para poderem concretizar o seu sonho, que era estabelecerem-se por conta própria e decidem ele o Luís emigrar para África, estar por lá alguns anos e regressar já com dinheiro para poderem abrir o seu estabelecimento como proprietários e nessa altura começariam também a ter os filhos que desejassem. Luís partiu para África e Adélia continuou na Cantina e agora como a responsável pelo balcão da cantina.

Luís já em África enviava a Adélia noticias de que a vida não estava a correr mal, trabalhava muito, tinha arranjado trabalho bem remunerado e estava a economizar um bom dinheiro, com uns três ou quatro anos conseguiria o dinheiro suficiente para poderem começar a concretizar os planos da vida dos dois e aí sim, começariam a ter filhos e construir o futura da família que tanto desejavam começar a construir.

Adélia não consegui conter-se sem com toda aquela alegria, dizer isto ao seu encarregado Manuel, mas Manuel já andava com outros seus planos no pensamento.

Começou a convidar Adélia para depois de fechar a cantina, ficar mais um tempo a ajuda-lo a ele a fazer as suas contas e que lhe pagaria mais algum dinheiro aumentando-lhe o ordenado. Para Adélia foi ouro sobre azul, como já não precisava de ir logo para casa para estar com o marido, podia ficar mais algum tempo no trabalho e assim também aumentaria os rendimentos para o projeto familiar que tinha com o marido, a satisfação foi tanta que até disse a Luís e com muita alegria e satisfação, mas Luís, já um pouco mais astuto e conhecedor de Manuel, tinha o visto muitas vezes cortejar e tentar envolver-se com algumas trabalhadoras da propriedade, alertou-a de que as coisa poderiam não acontecer como ela estava a pensar. Adélia percebeu muito bem aonde Luís queria chegar, respondeu-lhe prometendo-lhe que ele poderia estar descansado, à primeira tentativa que Manuel tivesse, ela abandonaria de imediato o trabalho, pois agora com Luís a ganhar bem em África, já não precisariam de se sujeitar a situações como outras teriam de se sujeitar.

Manuel e Adélia continuavam a ter as reuniões pós horários de trabalho para os dois verificarem as contos dos negócios do dia na propriedade, por vezes quase nem havia nada para verificar mas Manuel continuava a pagar esse tempo extra a Adélia, nem que fosse só para estarem a conversar os dói e cada vez as conversas eram mais próximas e mais intimas, começando por lhe dizer que provavelmente o marido já teria outra mulher lá por África, um homem com aquela juventude e num clima quente como África teria mutas dificuldades em manter a total fidelidade a Adélia. De inicio, Adélia não gostava que lhe dissesse isso e até achava que estava a ofender a ela e ao marido, mas Manuel dizia-lhe que ele tinha amigos lá por África e lhe contavam situações do que se passava lá por África ela um dia veria.

Tantas vezes Adélia ouvia dizer isto da boca de Manuel, que começou a pensar quais seriam as intenções dele, que ela pudesse fazer o mesmo e com ele Manuel, até já estava a ficar desorientada e ainda pensou em abandonar o trabalho, mas logo pensava que poderia estar ela própria a imaginar coisas que poderiam não estar na cabeça de Manuel e poderia estar a estragar a vida e assim se mantinha no trabalho aceitando as condições de trabalho que tinha, tentando não dar muita importância àquelas conversas meio sorridentes que Manuel continuava a segredar-lhe ao ouvido sempre que via uma oportunidade. Com o tempo, Adélia já não conseguiu resistir às investidas de Manuel e apercebeu-se que estava grávida, entrou em pânico, o que é que poderia fazer… Depois de ver que já não conseguia esconder a gravidez, decidiu contar a Manuel. Este não entrou menos em pânico, sabia que tinha uma mulher e filhos que não lhe iriam perdoar isto e também os seus patrões não iriam gostar de ele se andar a envolver com as trabalhadoras da propriedade, e para pior com uma casada.

Manuel decide começar a fazer planos o mais rapidamente possível para evitar que se espalhasse a noticia, seria muito complicado para a vida de Manuel, tanto na propriedade como na aldeia e redondezes. Decide começar a contactar todos os seus conhecimentos para ver qual seria a solução para abafar o mais rapidamente possível este embaraço. Até chegou a contactar um amigo que era informador da policia politica –PIDE. O amigo, o mais que lhe garantiu foi que falaria com seus superiores e depois que lhe daria uma resposta, mas essa resposta nunca mais chegava e o bebé na barriga de Adélia cada dia crescia mais e a barriga de Adélia cada dia era mais difícil de disfarçar, e a noticia começou a espalhar-se pelas gentes da propriedade e da aldeia, a barriga de grávida de Adélia cada dia crescia mais, sabia-se que não era do marido, ele já tinha partido para África, há mais de dois anos.

Os primeiros adivinhas apontaram logo para Manuel, ainda houve quem contrariasse. Pois Manuel tinha uma mulher ainda cheia de vida, caso desejasse mais filhos, a mulher ainda estava em plena idade para engravidar, mas já tinham quatro filhos e alguns ainda eram crianças, a vida estava a correr bem a esta família mas esta situação viria descontrolar toda a situação e planos. Mesmo com os proprietários da Quinta ia ser complicado.

Só eles os dois é que já sabiam. Adélia era uma mulher ainda jovem, era a primeira vez que engravidava, a gravidez só se começaria a notar quando já um pouco avançada.

Como aqueles planos ali por perto e com os amigos mais chegados não estava a resultar, porque todos estavam a meter-se no assunto, Manuel, começa a orquestrar o 2º plano de salvamento e por sua conta própria e risco total

Tinha conhecimentos em Lisboa, faz os seus contactos e convence Adélia a ir para Lisboa, dizendo que ia fazer um tratamento e como ela não tinha cá o marido, seria ele que a iria acompanhar a Lisboa. Depois a deixaria lá o tempo necessário para fazer esses tratamentos.

O objectivo era levar Adélia para Lisboa. Ele acompanhava-a e deixava-a em Lisboa com tudo preparado para que no momento certo fosse feito o aborto. Voltaria depois a buscá-la para de regresso à terra, ninguém saberia que se tinha tratado de um aborto e tudo ficava como dantes.

Adélia, ficou em casa de pessoas dos conhecimentos do seu encarregado Manuel, quando chegou a altura de fazer o aborto, Adélia recusou-se a faze-lo.

Manuel, vai de imediato a Lisboa, pressiona Adélia para fazer o aborto, Adélia resiste, ele insulta-a, ainda faz gestos de agressão, mas Adélia continua a resistir, decididamente a não fazer o aborto.

 Manuel regressa à terra e abandona definitivamente Adélia.

Adélia, abandonada naquela situação em Lisboa sem conhecer ninguém, foram momentos muito difíceis, pensa friamente na sua vida, pede ajuda às pessoas com quem Manuel a tinha deixado, para ficar mais um dia ou dois, enquanto resolvia a vida e depois lhe pagaria a despesa.

A gravidez de Adélia ainda não se notava muito fisicamente. Mesmo assim ela tentava esconde-la com roupas próprias.

Consegue arranjar trabalho ali para os lados da Ajuda, como empregada doméstica, dando logo a saber aos patrões a situação em que se encontrava, face a tal situação embaraçosa e difícil para Adélia, estes aceitaram.

Sai da casa onde o feitor Manuel a tinha deixado e vai trabalhar.

É estimada pelos patrões e compreendem a situação dela.

No nascimento da criança, um menino, os patrões prestam-lhe toda a assistência como um parto em condições normais precisa e até como se fosse família.

Os patrões deixaram-na ficar com a criança e disseram-lhe que ficaria ali enquanto ela quisesse. Adélia não podia ficar mais agradecida e esforçava-se por ser a melhor empregada possível.

Começa a dar uma criação e educação ao filho, da melhor forma possível. Trabalhava e vivia inteiramente para o filho que tinha.

O progenitor, nunca mais quis saber, nem do filho nem da mãe, mas na terra, com o tempo, tudo se foi sabendo.

O marido ao saber da situação, também se desligou definitivamente de Adélia.

Adélia, cria o filho e dá-lhe uma formação académica a nível médio/superior e consegue colocação bem remunerada numa das empresas mais classificadas a nível nacional, casa e tem o primeiro filho.

Quando o primeiro filho do filho de Adélia tinha 6 anos, o progenitor  Manuel, que nessa altura já não era feitor na Quinta, já se tinha tornado proprietário e já era patrão, sabe que já tinha um neto com 6 anos, filho do filho de Adélia, que ele nunca tinha visto nem o tinha reconhecido como filho, tenta chegar à fala com ele.

O filho de Adélia nunca tinha visto nem falado com o pai. Sabia quem era, a mãe tinha-o informado correctamente da situação, mas para ele era uma situação que não foi fácil.

Acabou por aceitar falar com o pai desconhecido.

O ex-feitor Manuel, depois de lhe apresentar todas as desculpas mais esfarrapadas que jamais poderiam existir, propõe-lhe, que, uma vez que nunca olhou por ele, que lhe deixasse levar para casa dele o filho mais velho durante algum tempo.

O velho ex-feitor Manuel, leva para sua casa o neto.

Teve-o consigo durante o tempo em que frequentou a escola Primária.

Completada a escola Primária, o neto regressa a Lisboa, à sua terra natal e do seu pai.

Continuou a manter contactos permanentes com o avô, embora o pai se mantivesse afastado do pai.

O neto de Manuel, cresce faz a sua formação académica, curso superior. Dedica-se a actividades humanitárias e mais tarde entra na política.

O neto do feitor Manuel, dava-se bem com as funções humanitárias. Era ali que se sentia bem. Também não tinha queda nem sentia capacidade para seguir o curso técnico que tinha concluído a Licenciatura, foi um curso da vontade do pai, por estar ligado a uma empresa que tinha muito a ver com esses cursos e possivelmente pretendia coloca-lo nessa empresa.

Ainda tentou a vida de professor, mas também não se sentia bem. Para além do mais, o seu grupo social, média/alta burguesia, deixava-o um bocado complexado. Todos pertenciam a famílias famosas e bem conhecidas nos meios em que viviam, bem estruturadas, todos falavam nos seus antepassados e com orgulho, apercebia-se que nenhum teria uma história de família como a dele, todos tinham relevo na alta sociedade do país e faziam questão de o dar a conhecer uns aos outros.

Ele, neto do velho ex-feitor Manuel, não podia falar muito no passado da família. Até porque nunca lhe tinha sido bem explicado. Sabia que tinha um pai que de facto poderia falar nele. Situava-se academicamente acima da média dos portugueses e que trabalhava numa das empresas mais importantes e conhecidas do país e isso sim, era orgulho, mas era o único orgulho familiar que tinha

Mas se entrava pela vida dos avós, poderia comprometer tudo. Um familiar ainda lhe sugeriu que passasse a escrever um dos seus nomes de uma forma diferente e estrangeirada e assim passaria a dar a entender que pertencia a famílias internacionais famosas. O pai dele tinha o apelido da mãe. De gente simples do país. Não seguiu o conselho do familiar.

Nos tempos que passou na terra do avô Manuel, deste recebeu também ensinamentos de ordem social e política. Seu avô fora partidário de Salazar e colaborador da polícia política na implantação do Estado Novo e a ele devia muito, querendo-lhe dizer com isso que era uma pessoa importante.

O neto de Manuel, antes do 25 de Abril militava nos grupos da nova juventude que eram filhos da classe intelectual emergente do salazarismo/marcelismo, que contestavam o regime do Estado Novo só para ganhar posição e destaque para num possível breve novo regime eles ficarem logo também à cabeça. No seu grupo até existia um que competia com outro pertencendo às famílias mais famosas do país, para ver qual deles substituiria Marcelo Caetano quando quisesse deixar a chefia do Governo.

Mas o neto de Manuel estava um pouco a leste dessas coisas e nem se queria importar nem meter muito nessas coisas de politica das famílias famosas, conseguiu ter acesso a esse grupo privilegiado da alta sociedade através da JOC - Movimento da Juventude Católica que muitos deles vinham das universidades que ele frequentava e para ele já foi um salto enorme na sociedade e que até lhe proporcionava sair do anonimato que pertencia e não seria fácil sair dele, e neste grupo teria muitas possibilidades de esquecer o passado e passar a pertencer a uma nova sociedade e da alta do país. Correu-lhe tão bem, que até arranjou namorada no grupo e com quem viria a casar.

Este grupo também tinha por missão e desígnio afrontar os filhos da alta burguesia do capital poderoso do país, todos frequentadores das mesmas universidades, porque eles pertenciam às elites governativas mas não capitalistas, e as elites capitalistas tinham também grupos de jovens ainda mais poderosos, porque eram filhos do capital, e como se aprende em politica, quem manda mais é a politica ou o capital!.. o capital acaba por mandar sempre mais.

Os grupos de jovens poderosos filhos do capital, que também eram conhecidos pelos meninos poderosos da Linha, porque os seus pais viviam quase todos nas suas mansões na Linha paradisíaca de Cascais-Estoril e era daqui que eles se deslocavam para a universidade, nos seus valiosos carros para as faculdades da capital, alguns deles chegaram a falecer nos seus bólides nas curvas da marginal em alta velocidade, porque o Código da Estrada e as multas não os incomodavam nem respeitavam, só as curvas os travavam. Quanto a multas, uma delas chegou ao grupo e estacionou o seu carro em cima da passadeira, mesmo tendo espaço para estacionar não muito longe, era próprio desta geração de elite provocara as policias, porque sabiam que nada lhes aconteceria, chamaram-lhe à atenção que ali poderia ser multada, ela respondeu que esse ano ainda tinha sido multada poucas vezes, era Junho e só tinha sido multada 12 vezes, disse que as multas iam para casa do pai e o pai tinha conhecimentos na policia.

Na faculdade onde muitos deles andavam muitos deles sem que tivessem pressa de acabar os cursos, pois tinham dinheiro suficiente para por lá permanecer o tempo que quisessem e depois quando, só pelo nome que tinham, os professores davam-lhes o canudo.

O grupo do neto de Manuel não era assim, também tinham cunhas para acabar os cursos, mas faltava-lhes o dinheiro para gastar enquanto andassem na faculdade, por isso, haveria que se despacharem, para irem ganhar o deles para viver e serem independentes.

Este grupo do neto do de Manuel o feitor, queriam-se destacar como activistas da política contestatária. E o neto de Manuel, talvez fruto da sua juventude ou para querer ser diferente, torna-se contestatário do Regime… 

Mas exerce uma discordância suave. Neto do feitor, sabia que os seus antepassados estavam apoiados no regime e lhe deviam o sucesso que tinham tido na vida.

Para além disso, acompanhava com uma juventude, que pertencia verdadeiramente à classe burguesa e desses jovens seus amigos ouvia as conversas que lhe abriam os olhos nesse sentido.

Com o eclodir do 25 de Abril, adere a tempo inteiro à política. Tinha entrado na política e já não podia voltar atrás. Como muitos dos seus camaradas, saltita por vários partidos políticos. Para além da sua grande confusão de convicções, o mais importante era saber qual o partido que mais lhe convinha para garantir o seu futuro.

Quase todos os membros do grupo, masculinos e femininos, aderiram a partidos mais à direita, pois era nessa área político-ideológica que se situavam a s suas famílias e tradições, mas o neto de Manuel, mesmo por saber que seus antepassados estiveram muito ligados ao regime deposto, quis contrariar e aderiu au partido das esquerdas, mesmo a mulher com quem casou ser simpatizante de politicas de direita, ele no fundo comungava politicas de direita, mas queria dar uma de diferente ao ter optado por partidos da esquerda, mas lá em casa tudo bem.

 Neto de Manuel, era um homem de convicções e com o passar dos anos assume funções cimeiras no partido.

Nas campanhas eleitorais, debatia-se com um problema. Os políticos cimeiros eram os que a Imprensa gostava de referenciar mais e esmiuçando-lhes toda a sua vida e o passado, pois seriam os futuros lideres e governantes do país.

A Imprensa portuguesa começava a imitar a Imprensa americana. Descascar todas as origens dos políticos candidatos aos lugares cimeiros. Neto do feitor Manuel, a conselho dos seus promotores de imagem eleitoral, deveria dar como origens do interior do país. Pois os políticos da capital já estavam com imagem um pouco gasta.

Neto do feitor, optou por dar como sua terra natal a terra do seu avô feitor, onde ele tinha passado o tempo da escola primária.

Muita gente sabia a história das suas origens. A Imprensa chegou a esclarecer essa encenação. Quando ele foi fazer campanha para a terra do seu avô e dada também como sua terra natal, deparou-se com cartazes e inscrições murais a desmenti-lo da sua farsa de identidade, com inscrições murais a dizer qual a naturalidade deste politico.

Neto do feitor, continuava numa encruzilhada sem saber qual dos caminhos haveria de seguir.

Mesmo em cargos cimeiros de governação não se conseguiu afirmara e não teve sucesso, desistiu abruptamente.

Se por essa razão ou por outra, Neto do Feitor Manuel, não conseguindo ter sucesso na politica, regressou a funções ocupacionais humanitárias onde nunca seriam tão visíveis os erros e falhanços e por aí se deixou ficar ocupacionalmente.

 

 

 

 

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