Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã - AVENTURAS AFRICANAS

Luanda de antes da independência
Quedas de Malanje






           

CAPITULO EXTRAIDO DO LIVRO – ROMANCE RELIDADE E FICÇÃO DE – DE AMERICO MARTINS

 

                                                                                 AVENTURA AFRICANA

Partiram ainda crianças para África.

Era o sonho de gerações desde há centenas de anos.

Quando uma família, que vivia com dificuldades na Europa e partia para África, partia para o prometido paraíso e definitivamente para não mais voltar, desfaziam-se de tudo quanto tinham, pois a ideia de ir à procura de vida melhor noutras terras, era para sempre e ali construírem o seu futuro, eram meados do século XX, foi assim que a família Rolo partiu.

A partida do Navio de Lisboa até chegar a Luanda levou próximo de três semanas.

De Luanda até Vila Palma, foram duas semanas, era tempo das chuvas e o asfalto eram apenas uns escassos quilómetros a sair de Luanda, dos cerca de 1.000 km que tinham para percorrer em estradas apenas iniciadas só em terra batida alinhadas com as Bulldozers e nem cilindro tinham levado por cima, apenas a terra ficava mais dura quando ficava seca com o calor escaldante no tempo do cacimbo a seguir às chuvas torrenciais e diluvianas, que depois dos 3 meses de cacimbo, voltariam as mesmas chuvas.

 Então, aquela terra argilosa avermelhada, ficava dura quase como o cimento, mas logo que vinha nova chuvada e às primeiras pingas, ficava escorregadio que nem sabão, mas também teriam a parte de deserto arenoso, que até teriam de prender cordas às árvores e ao eixo entre as rodas da velha camioneta que os transportava, para conseguirem subir pequenas encostas de terreno totalmente arenoso.

Já com três dias de viajem, atravessar de jangada o rio com largura a perder de vista, que mais parecia um pântano sem fim, e a seguir subir o Morro por uma picada lamacenta em ziguezagues com a camioneta constantemente a patinar sendo preciso meter-lhe braçados de mato debaixo das rodas para continuar, levou dois dias.

Havia ainda muitos quilómetros de picada de terra arenosa que quando ficava seca, só viaturas de tracção às 4 rodas conseguiam circular. Por isso, levava este tempo todo.

Passada semana e meia, lá chegaram eles a Vila Palma, a Terra Prometida.

Adolescentes, família de seis irmãos, quatro rapazes e duas raparigas, pais na casa dos 40 anos, eram a família ideal para ir colonizar África nesta era e nestes tempos.

Alguns dos irmãos, desanimaram completamente durante a viagem. Não fosse tão impossível voltar para trás, teriam regressado à aldeia que tinham deixado bem no interior de Portugal.

Pois a tão falada Vila, quase cidade, assim lha “venderam”, ao lá chegarem, só conseguiam ver muito menos gente que na aldeia que deixaram em Portugal.

Uma escassa meia dúzia de casas a tijolo, caiadas e branqueadas alinhadas, metade de cada lado, faziam curta avenida principal e única da localidade e em terra batida.

Vila Palma tinha o nome de vila mas não era Vila.

O edifício do Posto do Administrador Estatal, mais três ou quatro casas de comerciantes.

A outra casa a ser construída a seguir, teria que ser a deles.

Começaram como puderam. Mesmo só com a instrução escolar mínima obrigatória, uma irmã e um irmão mais velhos, dedicaram-se ao ensino primário, havia muitas crianças nativas na idade escolar e havia falta de professores, por isso, o Estado permitia que quem tivesse a 4ª classe e  16 anos de idade podia exercer o ensino primário enquanto não houvesse professores qualificados, foi assim que os dois irmãos mais velhos da família Rolo aproveitaram esta oportunidade e era uma e a única forma mais rápida de começar a ganhar o sustento da família.

Afinal havia muita gente. Só que eles quando lá chegaram, não lhes tinham explicado que tanta gente que havia nessa terra, não era brancos, mas sim 99% ou mais, eram negros e estavam dispersos pelas redondezas e a viver nas suas cubatas da cor da terra debaixo da copa das árvores.

Depois de lá estarem uns tempos, como portugueses que eram com facilidade de adaptação, não tardaram em reconhecer a realidade e viram que de facto ali havia muita gente.

Os pais dessa família, habituados ao trabalho da lavoura em Portugal, não tardaram em arregaçar as mangas – esta expressão ali não fazia sentido - não era preciso arregaça-las, porque ali só se usavam camisas de manga curta.

O primeiro confronto com a realidade e diferença das suas terras para aquelas, foi quando o Rolo pai entrou numa loja para comprar uma camisa para aqueles climas, mas estava a achar estranho comprar uma camisa de meia-manga, nunca tinha visto nas lojas e feiras das suas terras, o comerciante vendo o embaraço do cliente de imediato lhe apresentou uma de manga comprida mas em simultâneo, entra outro cliente e ao ver essa venda, disse logo ao comerciante: para mim, se só tiver camisas de manga comprida têm que lhe cortar as mangas. Aqui o sr. Rolo começou a aperceber-se que estava em realidades diferentes.

Ao mesmo tempo que se atiravam ao trabalho seriamente, havia que seguir alguns ensinamentos dos que já lá estavam há muito tempo, alguns já eram a segunda e terceira geração nascidos em África. os terrenos férteis e sem fim não era preciso comprá-los, bastava demarca-los e ir regista-los nas Finanças, tinham seis filhos para acabar de criar e uma nova vida a começar, que eram a inveja daqueles que já lá estavam, uma família com tantos filhos e todos tão saudáveis, eram uma promessa para África e era disto e destas famílias que África precisava para se transformar num dos continentes mais produtores e mais ricos de todo mundo, porque as condições naturais estavam lá, era preciso gente que desenvolvesse pusesse essas terras a produzir.

De inicio tudo servia para iniciar a vida, era uma família trabalhadora e logo de inicio a vida começou-lhes a sorrir e a correr bem.

Não tardaram em alargar as instalações da casa que inicialmente construíram, para montarem um estabelecimento Comercio Geral alargado e com Café-Bar.

O irmão que tinha seguido a vida de ensino, de imediato deixou o ensino e passou a dedicar-se à vida do comércio, na vida de professor dava para ir vivendo mas não dava para ficar rico, no comércio daria para enriquecer.

A irmã, continuou no ensino, ia ficando casadoira, e haveria de aparecer um fazendeiro rico que se haveria de interessar por ela,  já por ali andava um, indo beber umas Cucas ao Café deles e já andava de olho na rapariga.

Com o inicio da guerra de 61 e o movimento de tropas portuguesas para Angola, dá-se uma explosão de movimento, crescimento e desenvolvimento por toda a Angola.

Começa a haver estradas asfaltadas com centenas de quilómetros e cada vez mais quilómetros de asfalto, com boas e modernas pontes, deixou de haver carros pendurados nas pontes feitas de troncos de árvores e a distância de Luanda até Vila Palma, passou a ser feita em dois ou três dias em tempos de cacimbo, tempo seco, porque no tempo das chuvas até poderia demorar uma semana ou mais, caso quando os carros ficavam atascados na lama e não houvesse por ali um fazendeiro com um bom tractor para ir desatolar a viatura.

 A família Rolos, já tinha acreditado em África.

Começaram a sentir-se já mais africanos do que de portugueses. O Portugal da Europa já tinha ficado para trás e ia passando ao esquecimento, já era uma miragem.

 Mais de dez anos tinham passado. Todos os filhos já eram agora adultos e bem-criados.

As duas irmãs, já tinham casado e bem. Não precisaram de se preocupar muito.

Ali em África, para uma jovem mulher branca, não lhe faltavam pretendentes.

África estava cheia de homens ricos e solteiros, embora já não jovens. Mas como dizia a experiente conselheira de casamentos à jovem que queria casar com homem rico e jovem, a conselheira disse-lhe: se quiseres casar com homem rico, não será jovem. Se quiseres casar com homem jovem, não será rico.

Uma das irmãs, casou com um comerciante fazendeiro e a outra com um seu conterrâneo que ido como militar e tinha ficado por ali a tentar a vida, conheceram-se, apaixonaram-se e casaram. Ficou mais uma família a constituir-se e a povoar Angola.

Saíram de casa dos pais e fizeram a sua vida à parte de empresários. Fazendeiros e comerciantes. Era por estes dois ramos que a maioria dos europeus que iam para África, começavam e se viria a transformar em grandes capitalistas.

Para os homens casadoiros em África, já era mais difícil arranjar casamento sem sair de África. A solução era voltar à terra de origem, procurar casamento – que não era difícil encontrar casamento para um africano-branco.

 Mas estes homens solteiros enquanto em África, mantinham liberalmente relacionamento íntimo e marital com mulheres africanas-negras. Não raro quando havia mesmo filhos.

Mas essas ligações sexuais eram só para ir satisfazendo os seus apetites sexuais enquanto não encontravam uma mulher branca que quisesse casar com eles. Embora algumas ligações a mulheres africanas, poucos casos, ficariam para sempre e acabariam por constituir família natural com elas.

Os rapazes da família dos Rolos, continuavam todos por casar. Recorreram ao contacto por correspondência com raparigas da terra. Mas eles, já se consideravam homens ricos. Já tinham fazendas, comércios, camionetas de transportes, serrações de madeiras e um mundo de negócios sem fim, até diziam que já tinham mais gente a trabalhar por conta deles, do que gente havia na sua aldeia natal.

Referiam-se aos nativos que trabalhavam nas suas Fazendas, na monda do café, do algodão, do milho, do sisal, do corte de madeiras, também tinham muitas camionetas a transportar as madeiras e outros produtos agrícolas para o embarque, para toda a Angola, Portugal continental e estrangeiro.

Para iniciar e adquirir uma Fazenda, bastava demarcar os terrenos e registá-los nas Finanças.

Por isso, um dos irmãos, o que tinha sido professor, passou a pedir por correspondência, uma noiva da terra natal, dizendo que haveria de ser uma professora, porque  ele também já tinha sido professor em África, com a 4ª classe e para os nativos daquelas bandas,  além do mais, dava-lhe um estatuto superior aos outros fazendeiros que vinham casar a Portugal. Em geral, casavam com conterrâneas, por vezes só com a instrução primária e camponesas, mas das mais ricas da aldeia.

Deixou a vida de professor, porque era um homem rico e precisava de ir administrar as suas propriedades.

Por correspondência e pedindo informações da terra de origem e dando as suas que nem todas correspondiam à verdade, iniciou um namoro muito rápido com uma jovem que era de facto professora e bem formada e que ir para África também era um sonho e uma miragem que ela alimentava há muito tempo.

Já lhe teria passado pelo pensamento, ir dar aulas em África. O contacto com este africano veio mesmo a calhar, juntou-se a vontade à ocasião.

Em dois meses, com pouca troca de correspondência da parte dele que praticamente só levava fotografias dos piqueniques que faziam nas Fazendas, das paisagens das Fazendas, chegaram ao comum acordo de iniciar a coisa a sério.

O problema dele era que não se sentia à vontade para se corresponder com uma professora, escrevia pouco nas cartas, enviava era muitas fotografias para que ela fizesse a sua opinião através de imagens, mas nem sempre as fotografias correspondiam à realidade.

Carlos, vamos chamar-lhe assim, faz uma viagem relâmpago de algumas semanas a Portugal, conheceram-se pessoalmente e casaram.

Isabel, era uma jovem professora, que ainda não tinha chegado aos trinta anos, mulher bonita e ambiciosa que quis conhecer África, que já tinha sonhado com África e que ao deparar-se-lhe a oportunidade que se lhe deparou, não perdeu muito tempo a pensar com receio de a perder. Pensava ela que afinal tinha descoberto a África do futuro sem ter saído da sua terra. Casava com um homem rico e ia para África, já tinha tudo feito em África, completava assim dois sonhos em um.

Os dois, pensaram da mesma maneira, que se demorassem muito tempo em conversações poderiam perder a única oportunidade da vida.

Sem perder tempo, combinam tudo, Carlos desloca-se a Portugal, conhecem-se pessoalmente, dão algumas voltas juntos e decidem casar mesmo.

Isabel estava a viver um sonho, Carlos não tinha muito tempo a perder, passados alguns dias com Isabel já casados, diz que tem que regressar a África por causa dos negócios, Isabel fica na terra a preparar a sua viagem com a calma e tempo necessário que uma viagem destas precisa, mas continuava a viver um sonho que nem ela própria encontrava explicação, Carlos embora não parecendo nem sendo muito culto, era um homem com apresentação e não deixava Isabel diminuída sempre que tinham de se apresentar às pessoas.

Após tudo resolvido e preparado, Isabel viaja para Luanda ao encontro de Carlos.

Em Luanda, lá estava o seu amado Carlos, todo desejoso dela à sua espera e ficou com ela a passar uns dias na capital de Angola, quis mostra-lhe a bela cidade de Luanda e o que ele conhecia daquela cidade. Carlos conhecia muito pouco de Luanda, as poucas vezes que lá se tinha deslocado era em negócios de compra de produtos para comercializar nas suas lojas e sempre a correr e assim que acabava de tratar dos negócios voltava logo a Vila Palma, a cultura de praticar algum turismo de conhecimento não existia nele.

Agora, com Isabel ao lado tentava ser um bom cicerone, mas pouco tinha para lhe explicar, lá iam passando de carro, olhando caladinhos, davam umas voltas e voltavam à Pensão.

Quis mostra-lhe e levou-a lá para lhe mostrar a mítica Baía e Ilha de Luanda.

Isabel ao ver aquela praia da Barracuda no final da Ilha, não aguentou sem querer experimentar as águas quentes de um azul brilhante e aproveitar para mostrar ao ar livre pela primeira vez o seu escultural corpo a Carlos e agora ao sol de África ainda ficaria mais escultural, mas não levavam fato de banho com eles.

Isabel sugeriu logo irem comprar fatos de banho e Isabel já se tinha concentrado que estava em África e começar a pôr em prática os planos que trazia da Europa, começar uma vida à africana.

Após percorrerem algumas lojas de fatos de banho, que em Luanda eram muitas e do melhor que havia, nunca ela tinha visto em Portugal nem na Europa, eram bikinis próprios desse clima, clima de África, ficava deslumbrada a olhar para aqueles bikinis, em Portugal só tinha usado fato-de-banho completo a tapar-lhe o corpo, aqueles bikinis multicores eram tentadores e encantadores, Isabel não resiste, tenta convencer Carlos, que não foi fácil e compra o bikini dos seus sonhos, era esse bikini que passaria a usar sempre que quisesse ir à praia. Carlos, embora com uma certa vergonha escondida, acedeu foi dar o mergulho.

Mais um dia de sonho para Isabel, este sim, estava a corresponder aos seus planos para em África.

No 3º ou 4º dia que passavam na praia da Barracuda na ponta da Ilha do Farol, pouco mais faziam do que sair da Pensão onde estavam hospedados, irem de manhã para a praia, almoçarem no Tamariz e regressarem à tarde à Pensão, tomarem duche, jantavam e davam uma voltinha em redor do quarteirão depois de anoitecer, embora em Lunada houvesse boas casas de cinema com bom ar condicionado e bons espectáculos nocturnos. Luanda era uma cidade de espectáculos nocturnos e boas avenidas cheias de belas montras com as ultimas modas e principalmente na Baixa da cidade, com muitas montras modernas onde se encontravam para ver todos os produtos mais modernos do mercado para ver e comprar e depois de anoitecer e vir aquela brisa do mar da Baía de Luanda era imensamente agradável passear na Baixa de Luanda e principalmente na Marginal a ouvir a brisa vinda do mar passar por entre a folhagem da imensa avenida circundante em meia lua das palmeiras, todos estes prazeres, Carlos não soube proporcionar a Isabel quando da chegada a Luanda e antes de a levar para Vila Palma para o interior de Angola.

Na viajem de cerca de1.000 klm que tinham para percorrer, logo a sair de Luanda, surge-lhes a primeira recta de 60 klm, até Catete em franco desenvolvimento, coisa que Isabel nunca tinha imaginado ,passando pela cidade de Viana que também estava tudo em construção e progresso, ainda teriam mais uns 600 klm de estrada asfaltada, depois, os outros 400 seria estrada macdame que daria para uma velocidade até aos 100 k/h.

Passavam por imensas Fazendas sem fim à vista, Carlos, todo glorioso, ia explicando a Isabel a importância daquelas fazendas e as suas produções agrícolas e manadas de animais com milhares de cabeças de gado.

Percorridos já muitos quilómetros, Carlos continuava a enumerar-lhe as imensas propriedades e seus proprietários, sabia o nome de quase todos, Isabel questiona-o: já me falaste em propriedades sem fim e seus proprietários, mas ainda não me mostraste nenhuma propriedade tua!

Também captava muito a atenção de Isabel, eram os enormes matagais selvagens e de onde ao o carro passar e com o barulho do chiar dos pneus quando o carro descrevia as curvas, bandos de macacos espavoridos a polar de árvore em árvore pendurando-se das compridas leanas penduradas das árvores e os terrenos avermelhados que lhe faziam lembrar as imagens do Planeta Marte.

Já em Vila Palma, Isabel tentava ser compreensiva e atenciosa para toda a gente que via, queria ser a pessoa que sempre foi nas suas terras, toda a gente estimava e era estimada por toda a gente.

Passado não muito tempo, não estava a ser de todo aquilo que tinha pensado, mas queria dar o beneficio da dúvida, também poderia que fosse ela que não estava a ver as coisas com realmente eram.

 Em África, não encontrou o paraíso que ela tinha imaginado. Mas tentou adaptar-se às circunstâncias. Sempre se considerou uma mulher vencedora e não era agora que iria dar parte de fraca em tão pouco tempo, por isso, não iria desanimar.

Primeiro, foi adaptar-se ao clima. Não era que para a região para onde foi, o clima fosse mau, antes pelo contrário, era um dos melhores de Angola. A temperatura média anual andava pelos 25 / 30 graus centígrados.

Havia noites que até sentia mais frio do que quando passeava na Serra da sua Região . Mas essa situação também era ultrapassável. Bastava pôr pelos ombros um casaquinho de malha e o corpo ficava ameno e protegido do frio. Enquanto que na Serra da sua região quando faz frio, teria que vestir casacos de Lã bem quentes.

Às noites, depois de jantar, dava-lhe prazer sair de casa com o seu

casaquinho de malha pelos ombros e ir dar uma passeata pela avenida abaixo, quase ou completamente vazia, o movimento diurno dos nativos que circulavam pela avenida entrando e saindo de loja em loja e entrando na outra a seguir para ver se encontravam os Panos, a Fuba, a Mancarra, a Jinguba, os panos para Kimones e o Óleo de Den-dem mais barato, assim que o horário mal cumprido obrigava as lojas a fechar, esse movimento da Avenida ficava reduzido ao silêncio.

A professora Isabel, que ainda estava no período de adaptação, tentava desmistificar todo aquele enigma, aqueles mistérios de África.

Com o braço metido pelo do seu marido, passos lentos e longos, semi-calados, ela com sorriso nos lábios olhando para todos os lados, mostrando a si própria a felicidade com que se movimentava por aquela avenida, deliciando-se com o agradável perfume largado pelos Jacarandás e as frondosas Mangueiras cheias de apetitosas Mangas prontas a ser comidas, que ladeavam toda a avenida.

Não sabia bem se havia de falar ao marido nas conversas que tinha durante o dia com a sua colega, que lhe parecia, desde que a conheceu, boa pessoa.

A colega, era a Nizé Ginga. Tinha a formação de professora interina. Menos formação académica que Isabel. Não tinha passado por um Bacharelato. Tinha apenas frequentado um curso de aperfeiçoamento, daqueles que se tiravam em África, depois completar o 1º ciclo. Ficavam assim prontas para ensinar na primária.

Quando Isabel chegou, já Nizé tinha alguns anos de ensino. Eram mais ou menos da mesma idade, daí, ter havido uma certa empatia entre as duas. Tornaram-se mesmo boas amigas e confidentes. Nizé Ginga passou a ser a única confidente que Isabel tinha naquelas terras desconhecidas, que também aproveitava para lhe pedir informações sobre África.

Nizé, era uma jovem africana, filha de um agricultor, embora tradicional mas que já produzia em grandes quantidades produtos agrícolas, ao ponto de abastecer o mercado da Vila e até forças militares portuguesas por ali estacionadas.

O pai de Nizé, era também um grade criador de gado. Tinha mesmo capacidade para fazer contratos e assumir compromissos com o mercado e aquartelamentos militares no fornecimento de carne.

À boa maneira africana, o pai de Nizé como homem de dinheiro, teria que ter várias mulheres. Tinha quatro mulheres e vinte e dois filhos. Nizé tinha sete irmãos e 14 meios-irmaos.

Nas conversas pessoais entre Nizé e Isabel, Isabel à boa maneira portuguesa de querer saber e curiosidade, não deixava de questionar Nizé sobre a poligamia do pai. Não era que Isabel se sentisse incomodada com tal situação, pois ela já sabia que estava em África, mas mais por uma questão de curiosidade e querer conhecer e saber mais sobre hábitos e cultura africana.

Nizé, jovem madura e com uma boa cultura africana e também ocidental portuguesa, conhecia muito mais sobre a cultura ocidental portuguesa do que Isabel sobre cultura africana, ia respondendo de uma forma cautelosa e respeitadora. Nizé, era agora professora de Isabel nos ensinamentos de cultura africana e não perdia a oportunidade de demonstrar que estava a ensinar a sua superiora.

Por vezes, isto irritava Isabel, sentir-se que estava a ser ensinada por uma sua auxiliar, mas logo lhe vinha à mente que isso era bom para ela e precisava mesmo daqueles ensinamentos.

Aproveitava-se mesmo de Nizé, para saber mais sobre a vida do seu marido e de toda a família que tinham levado em África e como teriam enriquecido assim tanto desde que tinham vindo de Portugal.

Nizé, não sabia pessoalmente bem isso, mas bastava perguntar ao seu pai e logo teria uma resposta esclarecedora. O pai de Nizé, conhecia muito bem a historia dos Rolos desde que tinham chegado de Portugal. Nessa altura até mantinham negócios em conjunto.

Isabel ainda não tinha conhecido bem o seu marido. Já passavam alguns anos que tinham casado, ainda não tinham filhos. Carlos não mostrava interesse em ter filhos e Isabel continuava na dúvida qual seria a causa, pois ela gostava de ter filhos.

Talvez se conhecesse melhor o passado do seu marido, pudesse compreender melhor a falta de interesse deste em terem filhos.

Via agora em Nizé, alguém que lhe poderia fornecer alguns esclarecimentos nesse sentido, porque Isabel desconfiava de algo que pudesse impedir Carlos de ter filhos.

Nizé Ginga, teria que ter todo o cuidado em lhe dar esclarecimentos sobre tal situação, já que também considerava sua amiga Isabel, por quem também já começava a sentir amizade, respeito e consideração.

Nizé, mesmo em solteira, não era mulher de se ter metido na vida íntima de homens brancos, tinha a sua cultura africana. Ela própria tinha um casamento à ocidental, só um marido, já alguns filho e a única mulher do seu marido também africano. Mas sabia que os homens brancos quase todos tinham as suas amantes na Sanzala, quer fossem solteiros ou casados. Também era uma cultura de condição africana. Era aceite no geral. Quase todas as mulheres europeias, teriam que aceitar esta condição.

Os homens brancos mesmo casados com mulheres brancas, bastava estas estar em fim de gravidez ou por outras razoes quais queres que não pudessem ter relações sexuais, os seus maridos, muito naturalmente e as mulheres sabiam, iam logo ter com a mulher negra da sanzala ter relações sexuais com ela.

Quando Isabel a questionava nesse sentido, Nizé não sabia bem a forma como responder. Sabia que para as mulheres europeias, era condição que tinham dificuldade em entender e aceitar. E em Isabel, Nizé notava que era particularmente difícil aceitar, se não de todo rejeitada esta condição no seu marido.

Por isso, não era fácil para Nizé, responder a estas questões que Isabel lhe colocava.

Para não faltar à verdade ou omiti-la a Isabel, Nizé optou por dar uma explicação num contexto geral e depois a Isabel que fizesse as suas conjecturas.

Mas primeiro que tudo, Nizé falou com o seu pai neste sentido e prepara-se bem para dar um esclarecimento compreensivo a Isabel,  porque sabia que seu pai poderia saber destas coisas de vida íntima de homens.

O pai de Nizé, o Senhor Caála Ginga, era homem de respeito e muito considerado na região e toda a sua família. Quer pelos próprios nativos, quer pelos brancos.

As próprias autoridades administrativas, militares e policiais portuguesas, tinham-no como homem de muito respeito e consideração.

Tinha 22 filhos  de várias mulheres - e tinha dado formação académica a todos. Para além de dois ou três que o acompanhavam na agricultura e na criação de gado, todos os outros tinham ocupação na área do funcionalismo público e empresarial e até um militar graduado de carreira nas tropas portuguesas. Desde na Policia ao ensino e até com cargos de importância nas cidades e na capital em Luanda.

Sr. Calá, como era conhecido e tratado por toda a gente, era mesmo homem de respeito e considerado na região. Todos os rapazes filhos do sr. Caála tinham cumprido o serviço militar no exercito português. Ele próprio, tinha uma boa cultura literária que a tinha adquirido auto-didaticamente. Já tinha escrito um livro em língua local e traduzido para português.

O seu filho sucessor nos negócios da família, confessou que mudou de religião que tinha para a católica, só para poder beber umas cervejas com os amigos, sobretudo quando concretizava bons negócios com os brancos, eram uma família de cultura aberta.

Por isso, o Sr. Caála só iria passar para a filha, informação sobre a vida íntima dos Rolos, coisa que D. Isabel pudesse saber e não fosse ferir a sua susceptibilidade.

O Sr. Caála, sabia muito bem aquilo que as mulheres brancas gostavam de saber e o que não podiam saber sobre os seus maridos, ali era África e não Europa, por isso, teriam que se adaptar à terra de onde viviam.

Mas não raro acontecer – tinha acontecido uma situação dessas nessa Vila.

Florbela, acabada de casar e levada para África pelo marido que a tinha ido buscar a Portugal, ao chegar a África e deparar-se com a vida íntima que o marido levava em África com as mulheres da Sanzala, não aguentou e passados uns meses, regressou a Portugal sozinha.

Nizé, ia contando cuidadosamente e por partes a Isabel aquilo que ia sabendo pelo seu pai sobre a vida íntima dos Rolos.

De todos os irmãos, Carlos era o que o Sr. Caála tinha mais consideração. Carlos foi seu colaborador quando escreveu o seu livro, dando-lhe esclarecimentos sobre a fusão da cultura portuguesa com a africana.

Por isso, não quereria pôr nada em causa, ao seu amigo com D. Isabel sua esposa.

Isabel, também tinha conquistado a simpatia dos africanos. Era muito bem vista e considerada. Ela própria era um coração bondoso. Sorria e simpatizava com toda a gente, respondia e esclarecia tudo o que lhe pediam para esclarecer. E nada melhor para um africano e cultura africana, do que ser simpático e de bom coração. Quem isso demonstrasse, teria a simpatia e protecção daquela gente. Foi o que aconteceu a Isabel.

Isabel começava agora a saber e compreender, porquê a falta de interesse natural do seu marido, em ter filhos.

Nizé não lhe dizia tudo, mas ela como boa tradutora de pensamentos, chegava à dedução final, e cada vez estimava mais Nizé, via que tinha ali a pessoa em quem podia confiar, para sua confidente. Via que Nizé era de facto uma pessoa de confiança.

Carlos, também tinha vida íntima nas sanzalas. Seria por isso que não mostrava interesse em ter filhos com Isabel !...

Mas Isabel também já tinha bebido um pouco de cultura africana. Já não era aquela mulher branca europeia completamente fechada que o Sr. Caála pensava que era.

Isabel já tinha pensado muito e dado muitas voltas à cabeça. Se queria ter uma vida e família completa em África, teria que aceitar passar por situações que não imaginou antes de partir para lá.

Mas agora já lá estava e havia que se adaptar, se queria ter uma vida como as outras.

Tinha decidido consigo própria, admitir que o seu marido tivesse filhos de outras mulheres, mas também queria ter ela própria uma vida com filhos do seu marido.

Passou a lidar com o marido, nesse sentido. - Mais um mistério se lhe depara!..

Carlos, chegava ao fim do dia e estava completamente estafado.

Após tomar o seu duche e jantar, o que queria era descansar, sentar-se cá fora a apanhar o ar fresco da noite, em cima de uns troncos de árvores trazidos lá do interior da selva africana a quilómetros de distancia de picadas, pelos tractores e camiões da sua família, que estavam ali à espera que alguém os levasse para a estação de comboio mais próxima que ficava a 300 quilómetros, para que este os trouxesse durante 500 quilómetros para junto de um navio para que este os levasse para a Europa.

Isabel, puxava por Carlos para irem circular, queria mostrar-se e mostrar o seu marido. Começava a ambientar-se a África. Começava a sentir-se de facto em África. O sentir a realidade de África. Começava a compreender que África era assim mesmo. Cheia de mistérios e surpresas e cada pessoa teria os seus mistérios próprios e as suas surpresas. Começava a entender que era mesmo aquilo que lhe estava a acontecer a ela mesma.

Isabel não era uma mulher fraca, de estatura acima da média, elegante e com uma beleza impar, tinha sido criada nas rudezas do interior de Portugal. Conhecia mais o difícil do que o fácil. Mas ali tudo era diferente. A realidade era outra. Outras terras, outras gentes, outras mentalidades, outras culturas, outros ares, logo outras formas de pensar e de agir. Tudo era visto de uma forma diferente.

Isabel, começava a aperceber-se da realidade que a rodeava e envolvia.

Os momentos amorosos que em tempos de namoro tinha imaginado com o futuro marido, não estavam a acontecer.

Quando começou a namorar com o homem que agora era seu marido, via-o como um filho da terra, das suas gentes, das suas culturas e formas de pensar, mas saiu de lá ainda pequeno, já estava há mais de duas décadas em África e ele próprio já se considerava mais um africano do que um português, porque era assim que a maioria dos brancos que viviam em África pensava, não gostavam de ser considerados de Portugal, havia alguns que até tatuavam no seu corpo em local bem visível, 100% angolano e no entanto tinham nascido em Portugal e ido para África já com alguns anos de idade e crianças crescidas.

Ao chegar a África e conhecer a realidade, Isabel vê que muita coisa era diferente. Incluído a forma de pensar das pessoas que tinham ido de Portugal á muitos anos.

Carlos também gostava de passar aqueles momentos de prazer com Isabel agarradinha a ele sentados nos trocos da árvore, mesmo perdoando algumas  picadas aos mosquitos, só para sentir o fresquinho misturado com a brisa africana a tocar-lhe pelas pernas negras e queimadas de Carlos protegidas só por uns curtos calções, e Isabel com as suas longas e bem torneadas pernas ainda timidamente e teimosamente a querer perder a cor que tinham trazido da Europa e que agora começavam a querer  apanhar a cor de África, gostava de sair à noite com um vestido curto fresquinho, rodado e fininho às flores estampadas, que não se importava e até gostava de sentir o ar fresco misturado com a brisa africana, levantando-lhe o vestido para melhor poder refrescar as pernas que ela agradecia ao vento esse trabalho e que ela de vez em quando compunha e ajeitava o vestido com a mão, - não fosse o marido querer imitar o D. Afonso Henriques que cascou na mulher, D. Mafalda, por esta ter levantado o vestido para que uma onda do mar não lho molhasse, pondo a descoberto os tornozelos dos seus pés quando  passeavam na praia que haveria de dar o nome à hoje cidade de Cascais: Dizendo: Senhor meu Rei e meu esposo porque me cascais?     

E as situações até eram parecidas:

D. Afonso Henriques, estava cercado das tropas que tinham acabado de reconquistar Lisboa aos Mouros e foram para ali, descansar uns dias. Claro que muitos soldados estariam de olhos postos em D. Mafalda. Era uma jovem loira e linda, acabada de vir do Condado de Sabóia e dificilmente D. Afonso Henriques não sentiria ciúmes.

Carlos em Vila Palma, no meio do sertão africano, à noite, enquanto apanhava o fresco acompanhado pela sua linda mulher, que ainda tinha a cor rosada da cara e os cabelos louros talvez geneticamente com uma pitada de sangue celta, encantava quem estava por perto e por muito que teimassem, os militares que por ali descansavam ao fresco bebendo                                          

a cerveja Cuca que tinham comprado no estabelecimento dos Rolos, que

 vinham do aquartelamento mais próximo, depois de terem andado dias e noites pela Picada e Mata, não resistiriam a olhar para Isabel, que se apresentava tão linda e tão bela, fazendo lembrar as suas mulheres e namoradas que eles tinham deixado no seu Portugal. 

                                      Vila Palma

 

Isabel protegia-se nos seus longos e belos braços que começavam a adquirir a cor de África, assim como também as suas longas pernas, que lá passou a fazer o gosto de uso de saias curtas, forma de vestir que ela sempre apreciou muito, mas em Portugal, devido às críticas sociais e meio provincianas, nunca podia usar à sua vontade. Para além dos tempos que passou nos meios académicos já mais tolerantes nesse sentido, aí já tinha sentido o prazer de usar saias pelo meio da coxa.

Agora em África, com boas camadas de repelente, podia mostrar as suas belas pernas e sentir a brisa africana pelo escultural corpo.

Também utilizava todo este ambiente para fazer ou pouco de ciúmes ao marido, talvez assim, ele sentisse mais interesse em que Isabel tivesse filhos por volta dela.

Carlos já se limitava a ir dando umas palmadas nos seus braços e nas pernas, matando mosquitos às quantidades.

Isabel puxava-o para irem passear pela Avenida, pouco iluminada, era o silêncio total e quase sem ninguém, era quando Isabel gostava mais de passear agarrada ao marido por essa avenida, começava a levantar-se a brisa fresquinha da noite, o calor abafado começava a ir-se embora e os mosquitos também começavam a ir-se embora por causas do ar fresco da noite, mas Carlos com os seus sorrisos fazia-se rogado, mostrava-se cansado e com vontade de ir para a cama. No dia seguinte, às sete da manhã, tinha de abrir a loja, pois os clientes nativos que se levantavam ao romper da aurora, lá estariam logo de manha e se a loja não abrisse à hora, logo correriam para a outra loja ao lado.

Durante a noite, a rede que circundava a cama, deixava-os dormir descansados e protegidos das picadas dos mosquitos.

Quando Carlos se mostrava com vontade de ir para a cama em vez de irem passear pela avenida deserta seduzindo-se, só seriam eles a passear por lá, Isabel até ficava contente, seria uma prova de amor que tinha de Carlos, mas estavam a namorar, não tinham namorado antes de casar. Estavam-se a testar um ao outro depois de casados.

Mas já passavam alguns anos que tinham casado e Carlos tinha deixado a vida de solteiro que ele levara durante vários anos, talvez mais de uma década.

Isabel começava a ficar com vontade de mudar de ares, fazer uma viagem nem que não fosse muito longe e onde houvesse mais civilização, a solução seria ir passar uns dias à cidade mais próxima que ficava a 300 klm. Conseguiu convencer Carlos e foram.

Esta cidade já tinha piscina onde Isabel poderia voltar a vestir o seu bikini que tanto adorou quando o comprou, mas que não mais o voltou a poder exibir desde a passagem por Luanda, mas nesta cidade do interior, as modas também ainda não estavam muito evoluídas, achou que o seu bikini era muito à frente para aquela piscina e decidiu voltar a usar o fato de banho normal que tinha trazido das praias de Portugal.

Depois de uns dias nesta cidade, passear por já boas avenidas com boas montras com bons produtos expostos, todas as noites ao cinema e bons filmes em exibição, regressaram à sua Vila Palma para continuar com a habitual vida de sempre.

Como era habitual em África, os jovens ainda na adolescência, iniciavam uma vida sexual completa, com mulheres nativas. Tinha sido o caso de Carlos.

Carlos desde muito novo, tinha feito uma vida sexual plena com mulheres africanas, onde ia dormir a casa delas quase como se fosse uma vida marital.

Quando assim é, mesmo que não se queira, existe sempre algum apego de amor. O habituar-se ao cheiro da mulher africana, ao amor defensivo e captativo.

Ele europeu, tenta manter uma vida sexual permanente, fazendo os possíveis para não se prender a mulher africana. É só para passar o tempo e depois, iria casar à terra com a mulher pura e imaculada. Era assim que muitos europeus pensavam e que até se transformava numa cultura admissível, mesmo pelas mulheres, quer africanas, quer europeias a viver em África. Já era uma forma de estar na vida em África, aceitável.

O homem branco no interior de África, quando casasse, a mulher africana que durante anos fez de sua esposa durante anos ficaria por ali por perto, sendo sempre uma protegida, às escondidas da mulher oficial. Mesmo esta, mais tarde se iria apercebendo da situação, mas no máximo faria umas zangas de ciúmes, que até enaltecia o machismo dele.

Estas situações, aconteciam naqueles casamentos que eles vinham a Portugal à pressa, casavam com a camponesa pura e imaculada, mas depois de lá estar e se aperceber de toda aquela vida, não tinham outra

saída, se não aguentar, que para algumas era terrivelmente difícil.

Isabel, era uma pessoa de outra condição. Mulher culta, conhecedora do mundo. Não tinha viajado muito, mas lia muito. Enquanto em Portugal e mais após ter concluído o curso, um dos seus hobys era ir ao cinema e algumas viagens. Assim passava os seus tempos livres durante alguns anos que exerceu a actividade de docente em Portugal.

Agora em África, Isabel já tinha passado alguns anos em Vila Palma, muita coisa se tinham passado entre os dois, Isabel já era outra Isabel, já tinha apanhado o sol tórrido de África, já tinha outra forma de pensar e de ver as coisas.

Decidiu soltar-se a ela própria e voltar a ser a Isabel que sempre gostou de ser, fazer uma vida mais movimentada, com mais coisas novas e não se manter tão presa às coisa que iam acontecendo.

 Tentou convencer Carlos a irem passar umas férias a Luanda pela altura das férias escolares.

Um dos passatempos que Isabel tinha em Vila Palma era ler revistas internacionais e da especialidade, sabia de quase tudo de bom que existia em Luanda, Caso conseguisse convencer Carlos a irem passar pelo menos uma semana a Luanda, ela levaria já um programa bem preparado para usufruírem o mais possível do tempo que estivessem em Luanda.

Não foi fácil convencer Carlos a irem para Luanda uma semana, pois ele teria que fechar a loja, ali em África e principalmente no interior os estabelecimentos comerciais só fechavam um dia por semana e nem era sempre. Tempos mais alargados, só fechariam de tantos em tantos anos quando os proprietários vinham a Portugal mostrar a sua riqueza.

Mas Carlos, depois de bem conversado por Isabel, não conseguiu dizer que não e seguiram para Luanda 

Em Luanda, Isabel não aceitou ficarem na Pensão onde tinham ficado da primeira vez e onde habitualmente só ficavam fazendeiros e comerciantes do interior, já tinha visto nas revistas todos os hotéis, condições e custos, ficaram no KateKero, Hotel de nível médio/mais e frequentado por gente culta, no Largo Serpa Pinto mesmo no centro de Luanda, com acesso a tudo e próximo da Baixa da Cidade.

Logo no dia seguinte, após tomarem o pequeno almoço, Isabel já tinha a toalha e o seu bikini de estimação prontos para partiram logo de manhã para a Ilha da Barracuda para a melhor praia de Luanda.

Deliciou-se com as águas quentes e azul brilhante, lá estava o Tamariz à espera para um bom almoço, onde se comia o melhor marisco do mundo acabadinho de pescar e ser cozido, mesmo ali ao lado para os lados do Caxito.

Desta vez, Isabel disse para com ela própria que quem organizaria o programa em Luanda seria ela e fez essa proposta a Carlos, que não teve hipótese de rejeitar a proposta de Isabel.

Foram a vários cinemas, desde o Restauração com bom ar condicionado ao Miramar só com o imenso ecrã em que o espectador estava a ver o filme e em simultâneo a ver toda a Baía de Luanda, que de noite era deslumbrante

Não se ficaram só pelos almoços no Tamariz, em Luanda havia muitos bons e belos restaurantes para se comer do melhor que havia sem entrar em despesas astronómicas.

Numa das revistas que comprava sobre Luanda, referiam que ali para os lados do Caxito, havia boas esplanadas à beira mar, onde se comia excelente marisco acabadinho de pescar e a bons preços.

Isabel não parava, queria explorar e conhecer Luanda a cidade que até já considerava sua, que tanto tinha lido sobre ela, estava identificar-se perfeitamente com Luanda e lá convenceu Carlos a irem dar uma volta mais alargada e fora da cidade para os arredores de Luanda.

Nessas esplanadas, mesmo à beira mar, os clientes sentavam-se, o empregado servia-lhes a cerveja, o marisco iam os clientes buscar pratos de marisco à escolha aos cestos que estavam juntos à porta que dava ao balcão, com as gambas e camarão acabado de cozer, depois no fim para pagar, o empregado perguntava quantos pratos tinham ido buscar aos cestos e era esse marisco que pagavam a custo acessível para a carteira de qualquer cliente.

Tudo isto era Isabel que descobria, Carlos sempre calado, só fazia o que Isabel dissesse e conduzia o carro.

Isabel já tinha feito muita praia em Portugal, era em geral nas águas não muito quentes das praias da Costa da Prata e também uns dias com as amigas e colegas de umas mini férias que ia fazer de vez em quando à Costa da Caparica com as águas já mais amenas. Nada que se comparasse com as quentes aguas da Ilha de Luanda.

Agora, pela segunda vez em Luanda, já com pensamentos de África, já tinha apanhado o sol tórrido do Sertão, a sua opção era desfrutar o mais possível destes dias nesta cidade maravilhosa que ela estava a gostar imenso.

De novo, voltou à carga do amor, precisavam de constituir uma família completa, com filhos e Isabel sempre pensou ter vários filhos, por isso não havia tempo a perder.

De novo volta às conversas com Carlos sobre o tema que os ocupava desde sempre em Vila Palma, mas Carlos como sempre, não se mostrava muito interessado nessas conversas em Luanda e começou a dar sinais de impaciência, Isabel ainda pensou que talvez ela estivesse a ser muito impositora desde que chegaram a Luanda, para alem das despesas diárias,      já tinha comprado coisas de luxos e caras que levaram a gastar um bom dinheiro, mas também em dinheiro, Isabel não precisava de pedir a Carlos, todos aqueles anos a fazer economias lá interior, com poucas despesas, Isabel já tinha uma conta bancária bem recheada, por isso, queria agora até fazer algumas extravagâncias por uma questão de prazeres da vida.

As conversas sobre o amor e gravidez ficaram adiadas sine-die, havia que passar o melhor possível estes dias em Luanda e regressar a Vila Palma em paz e harmonia e depois lá escolheria o dia e momento certo para estas conversas.

 Terminadas as férias, tinham 1.000 quilómetros para percorrer até Vila Palma, 600 já eram estrada asfaltada com grandes rectas e poucas curvas e os restantes já eram de macdame – estrada feita em terra batida, que até dava para andar a 80/100/h

      Paisagens africanas junto à estrada que Isabel percorreu.

 

 

 

À medida que o tempo e os dias iam passando, Isabel  começava a perceber que muitas mais surpresas a África lhe poderia trazer.

No amor, embora nessas práticas Isabel não fosse uma mulher vivida, mas pela convivência da vida social, algo lhe dizia que aquele homem não correspondia a um homem da idade dele. Parecia tímido e demasiado inconsequente.

Mas tudo poderia ser uma questão de adaptação. Ela tentava pô-lo à vontade. Ele, umas vezes correspondia, outras não.

Agora que já tinham passado alguns anos nesta pequena Vila no meio do sertão africano, muita coisa já tinha pensado, muitas alegrias e tristezas já tinha passado, muitas ilusões e desilusões já tinham acontecido e Isabel continuava a mesma.

Claro que já não era a mesma pessoa. Em pouco tempo, tinha ficado uma mulher madura. África torna as pessoas mais depressa maduras. Pensa-se mais. Tem-se mais tempo para pensar.

Neste caso de Isabel, para ela, era mesmo de pensar, mas não queria desanimar. Nunca deixou de acreditar no futuro.

Ninguém nem nada lhe poderia roubar o futuro que ela preparou e achava que tinha o direito de viver.

Preparou-se logo de muito jovem com o apoio familiar e seguidamente ela própria deu continuidade a esse alicerce de um bom futuro. Por isso acreditava nele.

Um bom curso já tinha conseguido. Uma boa colocação também a tinha conseguido mal acabou o curso.

Seguidamente, aspirava a um bom marido através de um bom namoro, para construir uma boa e saudável família completa, assim como dizia a sua cultura, educação e formação.

Os conhecimentos para com África, tinham-lhe dado uns sonhos que ela tinha alimentado para completar a sua felicidade.

Agora em África, alguns sonhos tinham-se realizado, mas outros tinham sido postos em causa.

Mas Isabel, continuava a acreditar que seria possível completar os seus sonhos de vida.

Isabel, continuava a acreditar fortemente no amor com um homem e era com Carlos que ela continuava a acreditar que poderia realizar o futuro que ambicionava

Era uma mulher sensual, não dispensava os prazeres carnais, gostava do marido que tinha, mas o mistério que continuava entre os dois continuava a deixá-la pensativa.

Tentava moldá-lo a uma vida amorosa e digna à maneira dos dois e dos seus desejos. Queria ter filhos mas feitos com amor mútuo.

O dormirem todos nus na cama, só protegidos pela rede contra mosquitos, alimentava a Isabel, sempre que cada ato sexual com amor, poderia ser o princípio do seu primeiro filho.

Desde o primeiro contacto amoroso sexual com Carlos, que Isabel se tinha habituado à condição própria. No amor carnal, era inexperiente e virgem.

Carlos era um homem que quando casou, depois de ter batido os trinta e tais anos, já tinha tido relações com varias mulheres e mantido sempre uma mulher permanentemente disponível.

Era condição para um homem que vivia pelo sertão africano, não querendo correr os riscos de contágios de doenças venéreas, ter uma mulher nativa permanente e exclusiva só para ele, com a condição de ter de a sustentar à maneira dela.

Não viviam em comunhão de mesa e habitação, mas ela teria de estar em casa dela sempre disponível para ele.

Carlos, mesmo com todos esses cuidados, não conseguiu evitar de apanhar essa doença venérea que se tornou em crónica.

Quando casou já a tinha. E dito pelo médico que seria crónica, definitiva e possivelmente transmissível a descendentes.

Para não contagiar outra mulher com quem Carlos viesse a manter relações sexuais, estava bem aconselhado pelos médicos como proceder.

Essa forma, impedia-o de pretender ter filhos. Ele tinha optado por não querer ter descendentes por esse motivo.

Nos primeiros tempos de casados, Carlos não conseguiu ter coragem de esclarecer Isabel desta situação. Mas passado bastante tempo e depois de já não conseguir resistir à insistência de Isabel, acabaria por ter de confessar e esclarecer Isabel no que não conseguia esconder.

Para Carlos, já tinha perdido as esperanças de cura. Já tinha falado e gasto muito dinheiro com vários médicos.

Isabel vivia um mundo de esperança e desilusão. A vida tinha-lhe trocado as voltas e pregado esta grande partida.

Passava o tempo a tentar convencer o marido, que ainda poderiam vir a ter filhos e uma família completa. Era um dos seus desejos para se sentir realizada e uma mulher completa.

O resto tinha quase tudo.

Dinheiro, ocupação, boas casas. Tinha-se adaptado já a África.

Quando ia para os Safaris junto das fazendas do marido, sentia imensa tristeza não levar já filhos consigo, já estava casada há vários anos e queria mandar fotografias tiradas nos Safaris junto da caça grossa morta na caçada, para os familiares em Portugal.

Mas o segredo ainda não estava completamente desvendado e Carlos  acaba por revelar o seu segredo a Isabel.

A razão por que Carlos não demonstrava vontade de ter filhos, era doença venérea crónica que tinha adquirido por mulher africana também crónica.

Nesse momento, Carlos ainda mantinha a relação íntima o mais secretamente possível com essa mulher africana. Não estava fácil desligar-se dessa mulher, era familiar de um importante e influente político africano, este também casado com mulher branca e portuguesa nascida no Norte de Portugal.

Se Carlos viesse a abandonar essa mulher, que estava a manter exclusivamente como segunda mulher, se a abandonasse, correria o risco de ter ele de abandonar África por razões de segurança.

Para além de Isabel estar a ficar completamente baralhada e confusa, também não estava a dar informação da situação à família em Portugal. Continuava à procura de uma saída para tal situação muito difícil.

Carlos, quando casou com Isabel, nunca pensou que Isabel fosse uma mulher tão completa como era, pensava que fosse igual a tantas idas de Portugal que tinham casado com fazendeiros e depois só se preocupavam com o que tinham em casa, não se importando nada com a vida exterior do marido, chegavam mesmo a conhecer os filhos mulatos do marido, mas faziam vista grossa, desde que elas passeassem em bons carros com os maridos nas viagens à capital.

Mas Isabel não era assim, era uma mulher culta, inteligente e actual.

Carlos já não a ouvia muito bem, porque Carlos já se tinha conformado com a situação. Mesmo quando casou com Isabel, já previa esta situação.

Mas Isabel de forma alguma queria aceitar esta situação, mas não entrou em desespero. Haveria de haver uma saída para a situação.

Novamente recorre à sua confidente e conselheira Nizé Ginga. Falou mesmo a Nizé, se através de feitiço, não seria possível retirar Carlos de tal situação. Quer a cura da doença crónica, quer o afastamento da mulher nativa que mantinha secretamente.

Nizé sorriu!..ela própria não acreditava em feitiços. Mas também não punha de parte, que futuro poderia trazer uma saída para tal situação.

Sentia pena de Isabel. Isabel não merecia tal situação. Não queria acreditar que Carlos não lhe tivesse contado a Isabel a situação quando do casamento!..

Agora estava complicadíssimo. Sobretudo pela pessoa com quem Carlos estava envolvido. Sabia o peso que esses político tinham em África. Tudo seriam capazes de fazer e tudo fariam.

A independência de Angola e a forma precipitada como aconteceu, surpreende tudo e todos.

De regresso a Portugal, Isabel vê uma luz ao fundo do túnel.

A família dos Rolos regressou a Portugal

Já em Portugal, Isabel, continua a ficar baralhada. Não sabia bem se esta situação estava mesmo a acontecer ou se seria ficção.

Mais um momento dificílimo para o clã Rolos. Todos regressaram a Portugal e com pouco mais do que tinham lavado para África havia quase 30 anos.

Não foram dos que passaram os primeiros tempos em frente à Assembleia da Republica a gritar e a reivindicar. Mas circularam pelas ruas de Lisboa no mês de Novembro, só de camisa branquinha de meia manga, à procura de oportunidades para se fixarem e recomeçar a vida.

Finalmente, após terem percorrido vários pontos do país, conseguiram recomeçar a sua vida.

Isabel, desde que regressou a Portugal, ficou uns tempos pensativa, mas não voltou a ficar presa cem por cento ao clã Rolos.

Aproximou-se da sua família que tinha deixado em Portugal e ex-amigos e procurou hipóteses de se fixar e conseguiu, continuando como docente.

Veio o início do verão. Havia que matar saudades das praias que havia anos atrás tinham deixado.

Com as ex-amigas mais próximas, levando Carlos consigo, voltaram à praia da Costa da Caparica, fazia lembrar algumas praias extensas que tinham deixado em Angola. A água é que era diferente, mas era suportável.

Isabel já tinha frequentado as águas da Caparica. Para além disso, o voltar a estas águas desta praia, trouxe-lhe umas saudades imensas. Quando para lá ia com o seu grupo de amigos divertidos, em que imaginava a vida completamente diferente daquilo que lhe veio a acontecer. Por isso, estar de novo a pisar esta areia, parece que lhe dizia que uma nova página do livro da sua vida, se estava a abrir!

Carlos é que nunca tinha pisado uma praia em Portugal, não se dava muito bem com os ambientes das praias, ele nunca tinha tido cultura de praia, pouco as frequentou, tanto em Portugal como em África. Porque mesmo em África, Carlos tinha feito muito pouca vida de praia. Carlos não se sentia à vontade em lado nenhum, estava sempre a resmungar, ele nunca tinha aprendido a conversar em grupo e sociedade. Mas Isabel fazia-se acompanhar sempre que ia para a praia agora, por uma familiar, e era com esta que Isabel conversava.

Quando estavam nas filas dos auto-carros na Costa da Caparica à espera da sua vez para regressarem a casa, Carlos desesperava com facilidade e começava a pronunciar palavras e frases inconvenientes, a pontos de Isabel se ver obrigada a disfarçar, de não ser sua familiar.

 Até por que o Carlos não tinha conversas muito interessantes, e agora Isabel já não precisava de se sujeitar só às conversas de Carlos, já tinha com quem conversar a nível dela.

Inevitavelmente, as relações foram-se deteriorando.

Isabel, a uma nova forma de relacionamento com o marido dá início. Passou a viver em casa de familiares dela. Ou ele mudava, ou ela também passaria a não se ralar mais.

Se o marido quisesse ir ter com ela, aceitava-o. Se o marido não aparecesse, ela também não ia ter com ele.

Por sua vez, o marido tinha consciência da partida que tinha pregado a Isabel. Por isso, também não se sentia muito à vontade para ir todos os dias ter com Isabel.

As relações foram esfriando. O interesse de um pelo outro foi diminuindo. E o afastamento progressivo foi inevitável. A separação aconteceu. E seguidamente veio o divórcio.

Isabel, ainda era uma mulher nova, era bela, elegante e atraente. Era mulher só e os pretendentes começaram a aparecer. Mas Isabel continuava muito pensativa. Queria deixar passar mais algum tempo. Mas ainda não tinha cumprido um dos sonhos e objectivos da sua vida. Que era constituir uma família completa, ou seja: com marido e filhos.

Pensou também que, caso continuasse a querer realizar esse sonho, não poderia perder muito mais tempo, por que os anos passavam e os quarenta aproximavam-se.

Embora hesitante, aceitou nova experiencia com um pretendente. Muito cautelosamente, foi progredindo e medindo bem os passos que ia dando. Esse homem começou-lhe a inspirar confiança, começou a gostar dele. Apercebeu-se que esse homem também gostava dela. Deram o tempo necessário para o efeito e deram o nó.

Haveria de começar aqui o segundo martírio de Isabel.

Não com este novo marido, mas as perseguições que Carlos lhe fazia.

Carlos nem de perto nem de longe, queria aceitar a separação de Isabel, mas enquanto não a viu próxima de outro homem, ele manteve-se sereno e afastado, talvez pensasse que Isabel ainda poderia voltar para ele. Mas a partir do momento em que a viu ligada a outro homem, veio-lhe o ciúme doentio.

Carlos era um homem que não tinha desenvolvido o seu raciocínio. Tinha partido de criança para África, para o interior de Angola, o seu raciocínio social não tinha sido desenvolvido. Assim, tinha grande dificuldade em compreender as mudanças sociais que ocorreram na sua vida.

Após Isabel ter casado novamente, Carlos procurou cruzar-se com Isabel e conseguiu.

Ao passar por ela, disse-lhe que se um dia ela viesse a ter filhos, que evitasse de passar por ele! Com sentido de ameaça!

Isabel ficou assustada, pois uma das razões porque ela casou novamente, era para ter filhos.

Mas agora ela via à sua frente, mais um embuste!

Voltou-lhe Carlos à memória de noite e dia! Nem as conversas do atual marido a conseguiam acalmar e ter confiança.

Pensou adiar o planeamento para constituir a sua família com filhos, mas o homem em quem ela tinha agora confiado, esforçava-se por lhe inspirar confiança e não viver apavorada.

Os dois em conjunto, embora não sendo fácil, mas conseguiram recuperar a confiança, afastando passado algum tempo o ex-marido de Isabel, que também não foi fácil, mas conseguiram.

Agora, Isabel e o novo marido, tiveram os filhos que quiseram, constituíram uma família à maneira e gosto dos dois e são hoje uma família feliz

Em África, Isabel já tinha se resignado à situação, recorrendo a todos os meios para a tentar corrigir. Mas lá no fundo já tinha aceitado para com ela própria aquela situação para o resto da sua vida.

Como há males que vêm por bem, finalmente para Isabel assim aconteceu e uma luz se abriu para ela.

Isabel conseguiu a vida que desejava e merecia.

 

  

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