Volta ao Portugal de hoje, de ontem e de amanhã - Descobrir o Mundo Citadino
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DESCUBRIR O MUNDO CITADINO E JUVENTUDE DOS ANOS 80
Com 14 anos, o sonho de José era partir para a cidade. Seus pais não estavam muito de acordo. Mas ele queria conhecer o novo mundo. O mundo da evolução, confirmar se muita coisa que via na televisão era ou não verdade.
Alguns dias em Lisboa, o dinheiro que tinha trazido já se tinha acabado. Foi para saída do Metro pedir. José disse ao transeunte que tinha fome, que era de uma terra muito longe e não tinha dinheiro para comprar o bilhete para regressar à Terra. O transeunte perguntou-lhe qual era a terra. José disse que era muito longe. Transeunte insistiu qual a Terra! José disse qual a Terra. Era a Terra do transeunte. (Nomes e locais são fictícios - ficção inspirada em caos reais)
Transeunte levou-o a uma pastelaria, pagou-lhe uma refeição e disse-lhe que o levava à camioneta e lhe pagava o bilhete para regressar à Terra. Aí, José disse que não queria regressar à terra. Queria, era arranjar trabalho e ficar em Lisboa.
O transeunte levou-o a uma frutaria, apresentou-o ao dono e este deu emprego a José.
Os jogos de futebol que via domingo à tarde, alguns filmes, que por vezes já saía à noite para ver no café começavam a ambienta-lo à cidade, certos spots publicitários deixavam-no com muitas dúvidas se seriam ilusórios ou verdadeiros. Eram as novas tecnologias que o estavam a chamar e fascinar
Meados da década de sessenta, o mundo preparava-se para as grandes mudanças.
Com o tempo, José começa a gostar da vida na cidade, mas nem tudo eram rosas, o patrão não o deixava descansar, trabalhava uma média de 12 horas por dia
Com a continuação do tempo, começa a dar a entender ao patrão que estava a trabalhar horas a mais.
Sem entrar em conflito o patrão diminui-lhe as horas que estava preso ao trabalho.
José, pensa em dar início a um sonho que trazia da aldeia. Estudar.
Começa os estudos, dando início ao secundário.
A vida da e na cidade causam-lhe um certo fascínio, sendo um adolescente familiarmente sozinho na cidade e consciente convicto dessa condição, não se deixava abalar.
Não tinha tempos livres para dar liberdade ao pensamento para explorar os maus pensares.
Quando foi chamado para cumprir o serviço militar, tinha quase completado os estudos secundários e já cumpriu o serviço militar como graduado.
De regresso à vida civil, ainda voltaria a trabalhar alguns dias na mesma empresa em serviços menores. Mas em breve encontraria colocação a condizer com as suas aspirações.
Embora contra a vontade dos pais dela, casa com a mulher que quer.
Económica e financeiramente, estavam acima da média. Era um casal feliz e vieram filhos.
Dá inicio a um sonho, tirar um curso superior.
Assume funções de chefia e onde havia muita mulher. Começa a sofrer os primeiros momentos controversos por exercer as funções que exerce, estava convencido que poderia brincar com outras mulheres e a mulher dele fecharia os olhos e os ouvidos, porque economicamente ela dependia dele, mas assim não foi e a vida conjugal começa a sofrer os primeiros abanões.
Politicamente e socialmente convinha-lhe situar-se na linha moderada do socialismo. Embora na prática do dia-a-dia, tinha mais a ver com o centro direita, mas ele gostava de se fazer passar por esquerda, embora moderada.
Reencontra um velho amigo, em que as vidas eram muito parecidas.
Veloso, também pertencia aos que, pelo meio da adolescência, partiram para a capital, sozinhos venceram e já ocupavam lugares de destaque.
Veloso, vinha de uma família de professores universitários, Republicanos e quando do 25 de Abril, tinham aderido a partidos de esquerda.
Veloso, politicamente era moderado. Ao não suportar as insistentes lições de marxismo lá por casa, partiu por sua conta e risco, sozinho para cidade.
Veloso, quando ainda estudante na faculdade, conhecera Rosa, desportista federada, 15 anos mais velha que ele e casada.
Rosa, deixou-se vencer pelo físico atlético de Veloso e decide preferi-lo ao marido e pai dos filhos que já tinham, mas tinha mais 20 anos que Veloso, ela como desportista mantinha a sua linha atética e mesmo com 15 anos mais velha que Veloso, achava que o merecia bem e ainda era mulher para ele e começa a ter encontros amorosos em casas de amigas dele, que lhe a cediam durante umas horas para ele ir lá passar aqueles momentos amorosos com Rosa, só era preciso que ninguém mais soubesse e iniciam uma vida de encontros sentimentais e sexuais entre os dois e Rosa continuando a viver com o marido.
Mas passado pouco tempo, Rosa abandona e marido e filhos, junta os trapinhos com Veloso e iniciam uma vida a dois.
Rosa, também era de ideologia marxista e Veloso começa de novo a levar lições de marxismo, sendo mesmo membro do partido marxista, ele não gostava de ter sempre o marxismo por pêro.
Veloso, rapaz de 25 anos, sente-se sufocado por Rosa de 40 e afasta-se. Vem o período de férias e com mais dois amigos empreendem uma viagem pela Europa até à Praça Vermelha-Kremlin para testar as
Este amigo, convida-o para o seu grupo de amigas da faculdade e apresenta-o.
Veloso, inicia novos convívios e o relacionamento com algumas das novas amigas não tarda.
Marta, era uma das que ele gostou mais e como era uma universitária a seu nível, parou por ali e iniciam relacionamento amoroso.
Mas Marta, começa-lhe a confessar um drama. Não era feliz no ato sexual.
Veloso ainda quis pensar que a culpa fosse dele, mas Marta esclarece-o que com os outros homens que já tinha tido se tinha passado o mesmo. Mesmo assim, Veloso continuava a gostar de Marta.
No fim de um dia ardo-o de trabalho, Veloso contacta o amigo e convida-o para se juntarem e irem ao cinema, mais para terem a oportunidade de conversarem só a dois e pôr os comentários dos acontecimentos em dia.
O amigo aceita o convite e marcam para o S. Jorge na Av. da Liberdade, Lisboa
O amigo, disse-lhe que já conhecia Marta há muito tempo mas nunca passou de amigos de convívios, dentro da sua sabedoria e amizade que tinha com Veloso, tenta dar-lhe o melhor conselho e deu-lhe esperanças que a situação se ultrapassaria.
No intervalo do filme, inesperadamente, os olhos de Veloso cruzam-se com os de Rosa.
Já havia uns tempos que não se viam. A relutância não foi suficientemente forte para impedir que Veloso e Rosa iniciassem conversa.
Há muito tempo que Rosa esperava este momento. Agora não o podia deixar escapar.
Mas Veloso, também mostrava a Rosa que tinha vontade e que sentia necessidade de falar com ela. Rosa sentia que as coisas estavam a correr a seu favor.
Veloso, ainda via em Rosa uma amiga, que lhe poderia dar bons conselhos e então naquilo que ele estava a pensar ela seria mestra.
Expõe-lhe a situação que estava a passar com Marta. Pensava Veloso, que Rosa já o tinha esquecido, já teria voltado para o marido e o conselho que lhe daria seria bom para ele e para Marta.
Rosa pegou no assunto com toda a perspicácia e diz-lhe que para ela isso não era novidade, já quando mantinha relações com ela, se não fosse ela a conduzi-lo no acto sexual, o mesmo aconteceria com ele. Veloso, acreditou e começou a criar complexo. Era o objetivo de Rosa.
Despedem-se e Veloso conta o sucedido ao amigo.
O amigo apercebe-se que Rosa estaria a orientar a situação de acordo com seu interesse e pergunta a Veloso se ainda estaria interessado em voltar para Rosa.
Veloso diz-lhe categoricamente que não. Quem ele queria agora era Marta e era o problema com Marta que queria resolver.
Veloso era de facto, fraco no mundo das mulheres. Entrou em dilema, entre Marta e Rosa.
Marta, era de facto a mulher de quem ele gostava e estava apaixonado. Condizia mais com o seu estatuto social e a sua cultura. Já a tinha apresentado à família, gostaram dela e apoiavam o casamento.
Mas Rosa, agora não o largava mais. Tinha-se decidido conquistá-lo definitivamente. Cada vez tentava criar mais nele o complexa de impotência sexual sem a ajuda de uma mulher experiente. Situação de que Veloso não se conseguiu livrar mais.
Marta, também tinha gostado de Veloso e até chorava por ele. Na realidade, eram um casal elegante e talvez de futuro e Marta manteve-se sofrendo por Veloso durante mais algum tempo.
Mas Rosa já não largaria mais Veloso, não lhe deu mais espaço. Apressou-se a finalizar a separação do marido, tentando adquirir habitação nova já em conjunto com Veloso.
O pai de Veloso, que lhe tinha prometido ajuda financeira para aquisição de casa para o casamento, mas era se fosse com Marta. Com Rosa, retirou-lhe de imediato todo esse apoio financeiro. Dizendo que ele merecia uma mulher solteira e não uma divorciada, com filhos e 15 anos mais velha que ele.
Marta, vendo que Veloso estava perdido, esqueceu-o e em breve haveria de casar com outro homem, ficando por meia felicidade.
Veloso e Rosa, iniciam uma vida de casados, nunca viriam a ter filhos, pois Rosa já tinha duas filhas do primeiro casamento, coisa que Veloso nas conversas com os amigos mesmo muito antes de conhecer Rosa, gostava de meter filhos à conversa, dizendo que queria ter quatro ou cinco filhos.
Veloso e Rosa, passaram a fazer uma vida de casal à época, sem filhos, mas por vezes Veloso era forçado a interromper o seu trabalho de advogado no seu escritório para acorrer à chamada de Rosa, para ir levar o cãozinho que estava com tosse, ao veterinário.
- José continuava a progredir na profissão. Mas também um futuro sombrio o esperava.
José tinha também um fraquinho por mulheres. As suas funções profissionais, também lhe permitiam ter acesso a contactos privilegiados com elas e ele não gostava de os desperdiçar, era demasiado alarve nesse sentido, para a profissão que tinha.
Também não tinha em conta, que poderia vir alguma que lhe desse a lição.
A mulher de José, fazia confiança nele. Tratava dos filhos e da casa e não se preocupava com as amigas que ele tivesse, seguia o lema: mulher honrada não tem ouvidos nem vê o que não deve ver. Não trabalhava fora de casa, não tinha iniciado uma profissão. Terminara o curso, mas como casara com um homem que ganhava o suficiente para levarem uma vida financeira desafogada em casa e o marido também tinha os ciúmes da não a querer fora casa chefiada por outros homens, ela foi aceitando a situação e José via com bons olhos que sua mulher ficasse em casa. Lá no fundo sentia ciúmes e não gostava e de ver a sua mulher exposta a contactos. Ela preferiu ficar em casa para dar melhor assistência aos três filhos e estar mais disponível para com o marido.
José tinha poderes de decisão na esfera profissional. Na sua área laboral o mulherio era superior ao dos homens, e começa as suas conquistas, embora selecionadas.
Teresa, era uma sua subordinada. Mulher que já tinha passado os trinta. Depois de um divórcio, Teresa já tinha falhado mais uma união. Era uma mulher muito vivida, militava no Partido, tinha muitos cursos de dialéctica ministrados pelo Parido para fazer as campanhas eleitorais. Vinha de famílias da média burguesia beneficiada pelo antigo regime. Habituada a viver bem, não suportava não ter condições de vida acima da média.
Para Teresa, já não interessava como, o que era preciso era chegar lá. A
sua idade também já não lhe permitia esperar muito mais tempo.
Começou por fazer chamadas telefónicas para casa de José a perguntar à mulher pelo marido, sem se identificar e sem explicar as razões porque queria falar com ele.
Mulher de José, não sendo parva, mas dava-lhe o contacto. Sabia que se tratava de uma subordinada de seu marido.
José não se mostrou interessado em Teresa. Não era a mulher que o seduzisse, para além de ser uma das suas subordinadas a quem pedia informações confidenciais de como as coisas se passavam em volta dele e não seria muito aconselhável envolver-se sexualmente com ela. Ia resistindo às investidas dela. Mas Teresa não desarmava, haveria de levar a água ao seu moinho. Seria uma questão de saber esperar pela oportunidade.
A orientação política do país e da empresa acabara de fazer uma viragem à direita.
Teresa, que antes não suportava que se fizesse uma critica à União Soviética, passava agora a trazer de manhã um jornal conotado com a direita e mesmo sem o ler, colocava-o em cima da sua secretária.
É admitida uma jovem colega para empresa e fica como subordinada de José.
Esta jovem Isabel, também já casada, mas vinha também de uma má experiencia profissional, que lhe convinha assentar futuro. Se ali tivesse oportunidade, seria o ideal. O trajar de saia curta e os sorrisos de Isabel ao passar por pessoas que lhe interessavam, não passavam despercebidos aos mais atentos.
Teresa, que nessa área era expedita na matéria, talvez tenha visto ali uma luzinha ao fundo do túnel, não perdeu tempo e fez-se amiga e confidente de Isabel.
Isabel, também não seria parva ou ingénua, mas com um pouco de interesse, um pouco de ingenuidade e um pouco de ver no que iria dar, deixou-se entrar na jogada e na aventura.
Mas para o que Teresa queria só isto não chegava. As peças do puzzle que já ali tinha não chegavam para completar o objetivo total. Esta parte daria se eventualmente resultasse para resolver a parte profissional. Mas faltava a parte pessoal e amorosa, que também se sentia insatisfeita.
Teresa era uma mulher próxima dos 40 anos, já tinha sofrido vários desaires na vida. Vinha de uma família protegida pelo antigo regime, criada com uns certos mimos e futuro garantido.
Os seus pais tinham visto nela a menina dos seus olhos. Deu-lhes netos, mas deu-lhes um genro por pouco tempo. Os pais de Teresa encaixavam com muita dificuldade, ter uma filha divorciada. Tinham uma cultura do antigo regime em que uma mulher divorciada era quase uma excluída da família e da sociedade. E ainda para mais, o pai de Teresa tinha sido colaborador do antigo regime e foi daqueles que, ele e toda a família, quando o país mudou de regime, aderiram imediatamente ao novo regime socialista, passando a militar num Partido de esquerda para se sentirem mais protegidos.
Teresa então, teria que completar o puzzle e para isso precisava de arranjar todas as peças.
Havia um colega, embora aparentemente bem casado, gostava de fazer olhinhos às colegas jovens e solteiras.
João, embora tivesse menos uns dez anos que Teresa, mas Teresa, espertíssima, viu ali uma possível excelente oportunidade.
Mulher de João, parecia uma excelente esposa e mãe de filhos que tinha com João, costumava visitar o marido no final dos horários de trabalho, que trabalhavam próximos.
Teresa faz-se amiga da mulher de João. Começa a falar com ela sempre que visitava o marido.
Começa a chama-la à atenção, dos piropos que o marido costumava dirigir às colegas e em especial a uma que também se deixava rir para ele.
Júlia, solteira, não escondia de todo o desejo de arranjar um homem para casar. Seria a peça ideal que Teresa quereria incluir no puzzle. Encaixaria mesmo bem.
Teresa, que já costumava falar de vez em quando com Júlia, fez-se ainda amiga mais próxima.
Começou a fazer-se intermediária para a aproximação de João e Júlia.
João ficou radiante. Viu ali uma oportunidade que não estava a esperar de passar uns bons momentos com uma menina solteira, jovem e fresquinha, tudo aquilo seria amadrinhado por Teresa.
Mas o objectivo principal de Júlia era arranjar um homem livre para casar e de preferência solteiro como ela e não um casado.
Quando a esposa de João por ali fosse, nada saberia, pois Teresa se encarregaria de desviar as atenções da esposa nesse sentido.
Júlia, começou a ficar muito confusa com aquela situação. Inteligente
como era, não demorou em se aperceber que tinha caído numa ratoeira, estaria a ser utilizada, não sabia bem como e para quê e nem sabia como iria sair dela, mas não tinha já dúvidas de que se estava a arrepender, não sabia era qual a dimensão que o caso iria ter.
Teresa, começa a fazer chamadas telefónicas para casa de João quando achava que ele não estava em casa, para falar com a esposa. Não lhe era difícil, pois já tinha preparado bem o terreno no local do emprego, sempre que esposa de João lá ia.
Começa-lhe a confidenciar, que seu marido, o João, andava de amores muito animados coma a colega Júlia.
Esposa de João ao princípio não queria acreditar, mas Teresa arranjou-lhe provas (falsas) e aí ela acreditou.
Daí até entrar em rotura com o marido foi um passo. João, por vontade própria, deixou de contactar com a colega Júlia mas já era tarde.
Júlia, sentiu-se aliviada, não pensava que se veria tão depressa livre de tal situação.
Esposa de João, talvez demasiado inflexível, não conseguiu suportar tal traição, que só era traição factual nas bocas de Teresa.
Teresa, teria conseguido seus intentos. Estaria a esfregar as mãos. O seu objectivo, peça após peça, ia-se concretizando. Quem sabe, sabe!
Alguns tempos muito confusos se passam entre João e esposa, e Júlia que não era fácil ver-se fora daquela embrulhada, sabia que tinha sido vítima de uma esparrela, mas andava a ver como se deixou cair nela.
José tinha começado a passar uns momentos divertidos com bons diálogos com Isabel.
Teresa tinha-os desinibido e retirado as barreiras hierárquicas entre os dois.
Enquanto João e a esposa conflituavam, entre teimosias e não dar braços a torcer entre os dois (Teresa sabia disso, já tinha passado por uma experiencia dessas) o tempo ia passando.
Teresa, agora estava a acompanhar a aproximação de José e Isabel. Porque se estava a fazer com uma certa timidez de parte a parte.
Porque, os dois eram casados, Isabel dava-se bem com o marido e família dele.
José tinha também uma esposa que a considerava seu suporte em aconselhamento profissional.
Para se meter numa aventura extraconjugal, ele gostava era de encontros curtos sem ligações para futuro sem pôr em causa o matrimónio, a que Teresa lhe estava a propor era para ser continuada e assumida, por isso teria que ser bem planeada ao milímetro. De forma alguma teria de dar para o torto. Também havia filhos e era uma família estruturada, de quem ele falava muito. Dificilmente tinha uma conversa sem introduzir mulher e filhos nela.
Mas José também sofria um bocadinho por uma burra de saias. E não era fácil, homem de quarenta anos, rejeitar mulher jovem e apetitosa, que lhe estava a ser servida de bandeja. E não conseguiu resistir!
Mais um objectivo de Teresa, ganho e conseguido.
A rotura conjugal entre João e esposa progredia, já não haveria nada a fazer para a evitar.
João ainda tentou refazer a união, mas a esposa foi irredutível, embora mais tarde se tenha vindo a arrepender pela sua inflexibilidade, mas já foi tarde.
João, muito confuso, tenta aproximar-se de Júlia.
Naquele momento e naquela situação, ainda havia duvidas se na realidade teria havido algum caso entre os dois, mas não, Júlia não deixou dúvidas de que na realidade não tinha havido nada entre ela e João. Teresa é que tentava fazer passar a ideia de que sim.
Cabia agora a Júlia tentar limpar a situação e sair da embrulharam que se meteu, sem ela saber como. Mas todo esse trabalho foi orquestrado por Teresa que era uma criatura profissional nessas artes.
João, ainda mal saído daquela penumbra nebulosa, ainda não tinha parado para pensar e ver que caminho estava a pisar.
Júlia, esclareceu-o da situação e tudo ficou encerrado.
João sente-se sozinho e abandonado. O processo de separação com a esposa já tinha começado. Esposa tinha os filhos a seu lado e portanto viviam na casa dos dois.
João, teria que procurar outra morada.
A vida não estava fácil para ele. Dialogando com os colegas, dizia que nunca lhe teria passado pela cabeça, que um dia da sua vida, passaria por tal situação.
Teresa, embora disfarçadamente, continuava ocupada com a aproximação de José e Isabel, que já estava quase consumada. Já começava a haver momentos íntimos. A maior dificuldade era o local. José e Isabel eram pessoas já bastante conhecidas. Os seus encontros a sós, teriam que ser feitos no maior segredo. Mas chegaram a ser vistos no momento e local onde pensavam estar totalmente em segredo…A vida é assim!
Teresa, enquanto acompanhava a evolução da aproximação de José e Isabel não deixava de estar muito atenta ao desenrolar dos acontecimentos entre: João, esposa e Júlia.
Sabia que Júlia, por si própria, já se tinha afastado da contenda e por isso a situação já estava a jogar a seu favor. Já não precisava de se preocupar muito com alguma ligação que por inerência aos acontecimentos, tivesse ficado algum beicinho de Júlia por João. Mas Teresa estava atenta e continuava a controlar a situação. Começava a sentir-se feliz e vingada.
Feliz, por ter conseguido os seus objectivos, ligar intimamente José a Isabel e assim o seu objectivo final estaria praticamente garantido.
Vingada, porque andou durante muito tempo a tentar seduzir José e não conseguiu. Durante alguns anos, utilizou os mais variados estratagemas mais imaginativos possíveis. Desde criar situações de ciúmes, que depois não resultavam. José não reagia àquelas situações tão bem planeadas por Teresa. Ele apercebia-se nitidamente que Teresa estava a criar aquelas situações para o espicaçar. Chegava a pôr-se em posições eróticas com outro colega à frente de José, não lhe deixava dúvidas de que andava a ter encontros sexuais com esse colega, só para espicaçar José. Mas José, definitivamente não estava interessado nela.
Mas agora utilizando Isabel, Teresa estava a conseguir os seus intentos. Tinha José nas suas mãos e manipulá-lo-ia e utilizá-lo-ia como, quando e para o que ela entendesse.
José também se sentia no meio daquilo tudo, um bocado confuso. Havia qualquer coisa que lhe dizia que algo poderia estar-lhe a ser preparado. Mas agora já era um bocadinho tarde para recuar e ou parar. Apesar da sua boa formação académica e científico sócio/cultural, andava pensativo. Até porque a sua mulher, inteligente como era, já se tinha apercebido e já lhe tinha dado sinais que o tempo de fechar os olhos a muita coisa poderia estar a terminar. E José, estava a aperceber-se da realidade da situação. Começou a ter consciência de que o período de paz e harmonia familiar, poderia ter os dias contados.
Muito disfarçadamente, começou a ter conversas com colegas de trabalho e muito sub-repticiamente, tentava ouvir opiniões.
Com Adérito, um dos colegas de quem ele esperava opiniões mais sinceras, foi-lhe quase directo no assunto, mas Adérito, que também andava por perto e sabia da imbróglio quase por inteiro, ele e mais alguns, que conheciam bem Teresa e já tinham previsto o fim do filme, falava muito caladamente com José, não haveria muito ali a fazer. Até porque a engrenagem já ia muito avançada. E para além disso, sabia que se Teresa desconfiasse que alguém andava a tentar meter-se nos seus objectivos, era mulher para tudo.
Por isso, José já encontrava muito pouco quem lhe quisesse abrir os olhos.
Mas também em boa medida, José já estava muito cego para conseguir ver a claridade.
João, já tinha conseguido levantar a cabeça, já tinha respirado fundo, já tinha assentido em definido a separação da mulher. O caso dos filhos também já tinha ficado assente que ficariam com a mãe.
Afinal, sempre tinha alimentado umas esperançazinhas por Júlia, e não conseguiu resistir em tentar fazer uma reaproximação.
Júlia, apercebeu-se que não era mulher para ele, nem ele era homem para ela, para além de ser bastante mais nova em idade, fisicamente ainda aparentavam mais diferença de idade.
Júlia era uma mulher jovem, que continuava solteira, continuava nos meios universitários, prezava o seu físico e aparentava ainda mais nova do que era.
João, foi um homem que casou cedo, deixou de se cuidar, ficou obeso, ainda aparentava mais velho do que na realidade era.
Mas Teresa, andava por perto e estava a controlar todos os passos de cada um. Conversava com os dois e nunca deixaria que as coisas se reiniciassem.
João, lamentava-se às duas, com cada uma que falava, vitimava-se e desgraçava-se, querendo utilizar a técnica da infelicidade para ver se tocava o coração de Júlia e sensibilizava Teresa para que desse uma ajudinha entre ele e Júlia.
Ainda ele não tinha imaginado quais eram os planos finais de Teresa.
Aí, estava a cavar buraco contra ele próprio e a dar trunfos a Teresa e isso era o que ela queria.
Júlia também definitivamente, não era mulher para João. João era um homem que pertencia à classe social média/baixa.
Júlia, era uma mulher que pertencia à classe social alta. Os meios sociais onde se movimentavam, eram completamente diferentes. Gastava mais a Júlia numa prenda para o dia de aniversário de um dos sobrinhos, do que gastava João para comprar um Fato.
Júlia caiu no meio daquela contenda, porque, para além de pertencer à alta sociedade, era uma pessoa simples e popular. Por essa razão, Teresa a conseguiu meter naquele imbróglio.
Parece que tinha chegado a altura de Teresa avançar para a etapa seguinte.
Não era bem o marido que Teresa queria e pretendia para integrar na sua família, mas era o possível.
Teresa estava quase a conseguir os seus objetivos
Ser promovida profissionalmente porque iria fazer chantagem com José, que era seu superior hierárquico, ter o seu futuro subsistente assegurado e ter pelo menos o possível marido. Face à forma como tinha sido criada, estava farte de ser olhada de lado e não ser considerada a menina que sempre foi considerada com o pai que tinha no outro regime político, que aspirava dela voos elevados.
Aida lhe faltava resolver um pequeno problema.
Para ser promovida profissionalmente, já tinha resolvido o problema de ter um dos principais responsáveis pela sua promoção nas suas mãos: José.
Mas a empresa ao promover uma pessoa, só a cunha não chegava.
Se dois candidatos à promoção tivessem valor profissional igual e um tivesse cunha, quem tinha cunha tinha mais probabilidades de ser promovido.
Mas se o candidato que não tinha cunha, mas tivesse mais valor profissional, quem tinha cunha poderia ser preterido.
E para a promoção que Teresa se candidatava, havia outro candidato que não tinha cunha mas tinha mais valor profissional.
Teresa sabia isso.
Então Teresa, começou a inventar e fazer chegar por ela própria, falsidades contra o outro candidato que era o Alfredo, tentando pôr em causa o seu profissionalismo.
José, que superintendia a área de Teresa e Alfredo, começou a chamar Alfredo ao seu gabinete e apresentar-lhe tais inventonas que Teresa lhe trazia.
Alfredo, desmentia categoricamente tais falsidades, mas José oferecia resistência ao princípio, mas depois, como também não era estúpido, acabava por se render dizendo que de facto tinha dificuldades em acreditar.
Mas Teresa, bem especializada nessas coisas, para além da sua queda natural para essas coisas, também tirava cursos no partido, para atacar e desacreditar adversários políticos em campanhas eleitorais. Por isso, sabia muito bem todos os truques como levar a melhor em situações destas.
Alfredo, após várias vezes ter sido chamado ao gabinete de José e já não estar disposto a aturar mais sacanices, disse a José que se o voltasse a chamar para uma coisa dessas, ou lhe dizia quem foi que lhe disse tal coisa, ou considerava que tinha sido ele José que tinha inventado.
Claro que esta forma, foi uma boa forma de testar José. Claro que José não voltou a chamar Alfredo por tal situação.
José, viria mais tarde a confessar a Alfredo que alguém tinha andado a tentar envenenar as relações entre os dois.
Mas o mal já estava feito. Teresa já tinha conseguido o seu objetivo de promoção.
«Alfredo, em breve recebeu um convite da concorrência, aceitou-o e em breve tinha na concorrência a categoria que José tinha nesta empresa.
«José foi chamado pela Administração da empresa à responsabilidade por isto e em breve haveria de ser posto na prateleira».
José, depois de se ter apercebido no engodo que caiu e sentindo alguns remorsos pela injustiça que cometeu, ainda chamou Teresa à conversa, mas esta avisou-o sem demora que se estrebuchasse, não perderia tempo a dar conhecimento à sua mulher da situação em que andava com Isabel.
.Teresa não podia deixar de ser promovida, ou algumas cabeças rolariam.
Não foi em vão que ela andou tanto tempo a preparar o terreno. Agora não podia deixar de resultar.
Esta parte estava garantida para Teresa. Faltava agora concretizar a outra. A que tinha a ver com João.
João já se tinha rendido a Teresa. Completamente desorientado na vida, sozinho a viver num quarto, só ia ver os filhos de vez em quando. Tinha dificuldades em compreender como caiu nesta armadilha.
Dos dez anos que estavam casados, sempre se deu bem com a mulher, parecia um casamento de pedra e cal e de um momento para o outro, desmoronou-se.
João, tinha brincado demasiado com a sorte que tinha tido com a mulher com quem casou. Pensava que por ter sido um casamento virgem e com todos os predicados, já havia dois filhos, a mulher era fiel e seria incapaz de o não ser, pensava que poderia brincar cá por fora um bocadinho. Mesmo que eventualmente algum dia houvesse alguma desconfiança da parte da mulher, com umas conversinhas tudo se resolveria e tudo votaria ao lugar.
Só que, não contava ele com os fatores exógenos e as travessias que por vezes o mundo nos traz, porque existem pessoas que são capazes de tudo.
Mas tudo isto lhe aconteceu, por ter aquele fraquinho por meninas solteiras e mais novinhas do que ele. Foi este fraco que deu sinal a Teresa, que poderia ser este o indicado para aquilo que Teresa precisava.
Agora Teresa tinha-o na mão. Tinha-o retirado da mulher. Foi este que Teresa encontrou para completar a sua segunda fase da vida.
Teresa, de imediato tratou de tudo e casou mesmo no papel, com João.
João, passou a fazer tudo o que Teresa queria, passou a ser um cordeirinho mandado dela.
Mas Teresa, para manter o seu futuro garantido, precisava de envolver bem envolvidos José e Isabel e eles ainda andavam um bocado hesitantes e muitos às escondidas, Teresa queria que fossem mesmo vistos publicamente. Já se teriam envolvido sexualmente, mas ainda não era dado garantido a continuidade.
Então Teresa, precisava de ter mais na mão José.
Passou a desenvolver acções no sentido de ligar irredutivelmente estes dois.
A partir daí, também já não lhe foi muito difícil.
Primeiro, porque José e Isabel, já andavam mesmo envolvidos e era José que estava a ficar mais apanhado por Isabel. Era isso que Teresa queria, porque Isabel não tinha peso nenhum no meio daquela engrenagem. Era uma peça facilmente manobrável. Era uma mulher bonita e já lhe tinha sido traçado o destino. Profissionalmente precisava, não teria que estrebuchar.
A situação de José, também estava a jogar a favor de Teresa.
A mulher de José já estava a par de tudo e não estava disposta a perdoar esta situação. Já lhe tinha perdoado algumas outras traições. Esta, devido aos contornos que teve, definitivamente não lhe perdoaria. Inicia o divórcio, que concluiu, separou-se definitivamente e sem perder tempo inicia vida com outro homem.
José, também estava a ficar apanhado demais por Isabel. Começou a convencer-se que Isabel deixaria o marido para casar com ele. José, queria mesmo que Isabel se divorciasse do marido para poder casar com ele. Gostava de ter uma vida formal. Gostava de se apresentar à sociedade com perfeição e grandeza. E uma mulher mais jovem e fresquinha, até lhe dava status. Também sofria um bocadinho por status.
Embora tivesse provindo de uma classe baixa. Mas como conseguiu dinheiro e posição na vida, gostava de usar prerrogativas que o levassem a que as outras pessoas pensassem que ele pertencia a uma classe social com estatuto e brasonada
José ficou também só. Começou então a pressionar Isabel para a separação do marido.
Isabel, aí já tinha aprendido a lição. Já se tinha apercebido que de facto, teria sido utilizada para os fins que na realidade foi. Começou a jogar à defesa. Continuou a andar envolvida com José porque profissionalmente precisava, caso contrario, José destruir-lhe-ia a vida, mas na condição de que continuaria casada com o marido que já tinha. Não estava disposta a divorciar-se.
Primeiro, porque não confiava em José. Ela não gostava, na realidade dele. Mantinha uma relação com ele, porque foi empurrada para essa situação e também porque lhe convinha profissionalmente.
Segundo, o seu marido sabendo da situação, não estrebuchava muito. Parece que era daqueles que o que queria era que entrasse dinheiro em casa.
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